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sábado, 10 de dezembro de 2016

Tireóide Desequilíbrio hormonal pode levar a hipo ou hipertireoidismo Alice Dantas Brites


Colégio Estadual Dinah Gonçalves
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Inchaço característico do bócio
A tireóide é uma glândula em forma de H, ou de um pequeno escudo (em grego, a palavra thyreos significa escudo), situada em frente à laringe, na região do pescoço popularmente chamada de gogó. Ela é responsável pela produção e armazenagem dos hormônios tireoideanos, chamados de T3 (abreviação de tri-iodotironina) e T4 (abreviação de tiroxina). Para fabricar esses hormônios, a tireóide utiliza o iodo, presente em diversos alimentos, e o aminoácido tirosina.

Os hormônios tireoideanos agem em quase todas as células do corpo e controlam várias atividades, como, por exemplo, os batimentos cardíacos, o movimento do intestino (chamado de peristaltismo) e até mesmo a respiração celular. A ação desses hormônios também acelera o metabolismo, controlando o crescimento e o desenvolvimento do organismo.

Controle dos hormônios
A produção de hormônios pela tireóide é controlada por outra glândula, a hipófise ou pituitária, que está localizada no cérebro. Por sua vez, a hipófise é controlada por uma região cerebral chamada hipotálamo. O hipotálamo envia informações à hipófise, que controla a produção de T3 e T4 pela tireóide. Assim, o hipotálamo, a hipófise e a tireóide trabalham em conjunto na regulação da quantidade de hormônios tireoideanos presentes no organismo.

Quando os níveis de T3 e T4 na circulação sanguínea estão baixos, o hipotálamo estimula a hipófise, que passa a secretar um hormônio estimulante da tireóide, chamado TSH. Na presença do TSH, a tireóide aumenta sua produção e os níveis hormonais voltam ao equilíbrio. De forma inversa, quando há muito T3 e T4 no sangue, o hipotálamo não estimula a hipófise que, por sua vez, não produz o TSH e, portanto, a tireóide não é estimulada.

Alguns distúrbios podem afetar o funcionamento da tireóide, levando a uma produção excessiva ou deficiente de T3 e T4. O primeiro caso é chamado de hipertireoidismo, o segundo de hipotireoidismo.

Hipertireoidismo
O hipertireoidismo corresponde à produção excessiva de T3 e T4, o que leva ao aumento do metabolismo corporal. Como conseqüência desse aumento, o corpo passa a consumir mais oxigênio, os batimentos cardíacos aceleram, a pressão sanguínea aumenta e os movimentos intestinais se tornam mais freqüentes e intensos. Estas alterações produzem alguns dos sintomas do hipertireoidismo: insônia, irritabilidade, agitação, tremores e diarréia.

A causa mais comum do hipertireoidismo é uma disfunção chamada doença de Graves. Essa é uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunológico ataca partes do próprio corpo como se elas fossem uma ameaça. Nesta disfunção são produzidos anticorpos que provocam aumento na produção do hormônio TSH pela hipófise.

Assim, a tireóide é estimulada a produzir T3 e T4 constantemente, o que explica o aumento no nível desses hormônios no sangue. Esse estímulo também provoca o aumento da tireóide e, como conseqüência, a região do pescoço pode se tornar inchada e apresentar um grande papo. Outras causas para essa disfunção são: a presença de tumores ou inflamações na glândula tireóide e a ingestão excessiva de medicamentos contendo T3 e T4.

Diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo
O diagnóstico do hipertireoidismo é realizado através de exames que medem os níveis de T3 e T4 no sangue. O tratamento pode ser feito com medicamentos ou medidas definitivas. Os medicamentos regulam e estabilizam a produção hormonal da tireóide. Os tratamentos definitivos envolvem inativação total ou parcial da tireóide, e podem ser feitos de duas formas: remoção cirúrgica ou terapia com iodo radioativo (radioiodo).

A terapia com radioiodo envolve a ingestão de um medicamento que contém iodo radioativo. A tireóide é uma das únicas partes do corpo capaz de absorver iodo. Por isso, essa técnica pode ser utilizada com segurança, uma vez que a radiação não afetará o resto do corpo. Ao absorver a radiação, as células tireoideanas acabam morrendo e a glândula passa a produzir uma quantidade de hormônio menor. O problema dos tratamentos definitivos é que, em muitos casos, a tireóide é totalmente destruída, o que leva à falta de T3 e T4.

Hipotireoidismo
No hipotireoidismo há uma diminuição na produção de T3 e T4, levando a uma queda no metabolismo. Dessa forma, o corpo consome menos oxigênio, os batimentos cardíacos se tornam mais lentos, a pressão sanguínea diminui e os movimentos intestinais se tornam mais lentos. Essas mudanças provocam sintomas como cansaço, intolerância ao frio e constipação.

A principal causa desta disfunção também é uma doença auto-imune, chamada tireoidite de Hashimoto, que ataca a tireóide e impede a produção normal de hormônios. A doença provoca uma inflamação que acaba matando boa parte das células da tireóide e, por isso, provoca uma queda nos níveis de T3 e T4 no sangue.

Existem outras causas para o hipotireoidismo, que, no entanto, são pouco comuns. Uma delas ocorre devido a uma anomalia que torna a hipófise incapaz de produzir TSH e estimular a tireóide e, conseqüentemente, impede a produção dos hormônios tireoideanos.

Assim como no hipertireoidismo, o diagnóstico é realizado através de exames de sangue que medem os níveis de T3 e T4. O tratamento se dá através da ingestão de medicamentos que contêm hormônios tireoideanos produzidos em laboratório.

Bócio
Bócio é um termo usado para designar o crescimento anormal da tireóide, o que leva a um inchaço na região do pescoço. Uma das causas dessa hipertrofia é a falta de iodo na alimentação. O volume da tireóide aumenta para absorver o máximo possível de iodo e compensar a carência deste elemento na dieta.

A incidência desse distúrbio é maior em regiões onde há deficiência de iodo no solo e na água, o que geralmente ocorre em áreas afastadas do litoral. Atualmente há uma lei que torna obrigatória a adição de iodo ao sal de cozinha em todo o país. Esta medida contribuiu para uma grande redução dos casos de bócio no Brasil, que, hoje em dia, encontra-se dentro dos parâmetros estabelecidos como aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Alice Dantas Brites é professora de biologia.

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