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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Algas


Professor de Matemática Antonio Carlos Carneiro Barroso
Colégio Estadual Dinah Gonçalves
email accbarroso@hotmail.com

Alga Alface do mar
Alga verde pluricelular do gênero Ulva (Alface-do-mar)

Constituindo um grupo bastante heterogêneo, as algas podem ser unicelulares ou pluricelulares, microscópicas ou macroscópicas e de coloração bastante variável. São encontradas em bários tipos de ambientes: ocorrem em lagos, rios, solos úmidos, casca de árvores e principalmente nos oceanos. Daí o nome alga, palavra que vem do latim e significa "planta marinha".

Nos ecossistemas aquáticos elas são os principais organismos fotossintetizantes e constituem a base nutritiva que garante a manutenção de praticamente todas as cadeias alimentares desses ambientes. Assim, as algas, organismos clorofilados, são os mais importantes componentes do fitoplâncton (contigente de organismos flutuantes de natureza vegetal). As algas, principalmente as marinhas, são também responsáveis pela maior parte do gás oxigênio liberado diariamente na biosfera.

Generalidades

As ciências biológicas se dividem em ciências naturais e ciências experimentais. As ciências naturais baseiam-se exclusivamente sobre a observação e descrição do que a natureza nos oferece. As ciências experimentais, ao contrário, vão além, fundam-se na experiência; na verdade, em vez de observar simplesmente os fenômenos, são eles reproduzidos.

As ciências naturais e as ciências experimentais, consideradas no seu desenvolvimento, constituem duas fases sucessivas do conhecimento humano. As ciências naturais, que são passivas ou contemplativas, constituem a primeira fase, enquanto as ciências experimentais, ativas, constltuem a segunda. As ciências naturais servem, pois, de ponto de apoio às ciências experimentais.

Os seres viventes são muito diversos das coisas materiais, mesmo tendo em comum, com estas, as propriedades físico-químicas. O método descritivo das ciências naturais limita-se a comparar os seres vivos às figuras geométricas: observa como são feitos e os descreve, constata como uma planta ou um animal está disposto no espaço. O método experimental, ativo, intervém modificando ds fenômenos naturais, reproduzindo-os artificialmente. Parte ele do princípio que nos seres vivos não há nada de substancialmente diverso daquilo que existe nas coisas materiais, se não uma maior complexidade. O cientista se esforça, portanto, em reproduzir as funções dos seres vivos e os fenômenos físico-químicos. Quando consegue isso, os resultados são concatenados e tem-se a explicação do fenômeno que se queria estudar. A ciência passa, portanto, da descrição ao conhecimento das causas.

Os dois métodos, na realidade, não estão em antagonismo mas se completam reciprocamente. Uma ciência biológica particular, como a histologia ou a bacteriologia, vale-se tanto dos dados descritivos como dos dados experimentais.

As ciências biológicas, além disso, utilizam-se de muitas noções que pertencem , as ciências exatas, como a geometria, a matemática, a física e a química. Os progressos da biologia são devidos, também, à integração de uma ciência com outra. Os seres vivos são estudados sob um duplo ponto de vista: o morfológico e o fisiológico; em outras palavras, um ser vivo se estuda como é feito (morfologia) e como funciona (fisiologia). No campo da morfologia devem-se distinguir particulares subdivisões: a anatomia macroscópica, que estuda as disposições internas dos órgãos e dos aparelhos, bem como as suas relações; a anatomia microscópica que estuda a estrutura íntima dos órgãos; a citologia, que estuda as células, das quais os tecidos são constituídos.

A fisiologia, por sua vez, estuda as funções dos diversos aparelhos, dos órgãos, dos tecidos, das células. A fisiologia é substancialmente uma física e uma química aplicadas aos seres vivos.

Não basta, porém, conhecer como é constituído e como funciona um ser vivo; importa saber como se desenvolve. É esta a finalidade da embriologia. O desenvolvimento de um único indivíduo constitui a ontogênese, o desenvolvimento da espécie constitui a filogênese.

Os fenômenos de hereditariedade são estudados na genética.

Todos os fenômenos biológicos são extremamente complexos, porque o próprio maravilhoso fenômeno da vida fica na sua essência misterioso. Escrevia, a propósito, Claude Bernard: "Admitindo-se mesmo que os fenômenos vitais devam ser ligados a fatos físico-químicos, isto não basta para explicá-los. Não é uma concorrência casual de fenômenos físico-químicos que dá vida a qualquer ser. Há como que um desígnio preestabelecido para todo ser vivo e para todo órgão que o compõe; considerados nas suas relações, todo órgão e todo ser parecem ligados entre si por laços especiais; como se mão invisível os tivesse conduzido para o lugar que ocupam. A mais simples meditação nos faz descobrir que o ser vivo é dotado de um quid particular e está colocado em uma posição preestabelecida".

Não há uma física e uma química de laboratório e uma física e uma química dos seres vivos: as leis gerais são as mesmas nos dois casos. O que é diferente é o procedimento por meio do qual se operam as transformações; o químico, para obter certos resultados, terá necessidade, por exemplo, de uma temperatura elevada, enquanto a planta ou o animal obtém o mesmo resultado muito mais facilmente e de maneira, certamente, mais econômica.

A biologia admite uma redução dos fenômenos da vida a fenômenos físico-químicos; mas esta deve estudar, também, a maneira pela qual os fenômenos se apresentam nos seres vivos para estabelecer as suas características, e os modos particulares pelos quais os fenômenos físicos e químicos têm lugar nos vegetais e nos animais.

A tipologia é a parte da biologia que, sem sair das leis gerais que regem a matéria, põe em evidência o que a física e a química dos seres vivos têm de especial em confronto com a química e a física das coisas materiais e a biologia que o químico realiza no seu laboratório. As leis específicas que distinguem os seres vivos não são consideradas como uma derrogação das leis gerais, mas como um modo particular de manifestação das leis gerais.

Dessas ciências todas se vale a medicina.

Reprodução

A reprodução das algas pode ser assexuada, por meio da divisão longitudinal ou transversal de um indivíduo, ou por meio de esporos, como ocorre com os organismos unicelulares; ou sexuada, na qual duas células, ou gametas, procedentes de indivíduos distintos, se unem para formar um novo organismo.

Euglenófitas

As euglenófitas ou algas flageladas verdes são também unicelulares e, como o nome indica, movimentam-se por meio de flagelos. Na maior parte organismos de água doce, têm como representante mais conhecida a euglena (Euglena viridis), que possui a capacidade de detectar a presença de radiações luminosas, graças a uma mancha ocular com um pigmento fotossensível.

Pirrófitas

As pirrófitas são algas unicelulares, providas de clorofila, caroteno e xantofila como pigmentos, razão pela qual tomam frequentemente uma coloração avermelhada. São pirrófitas as responsáveis pelas marés vermelhas que por vezes assolam algumas costas, e que chegaram mesmo a ser responsáveis pelo baptismo do Mar Vermelho. As substâncias de reserva são o óleo e o amido.

Crisófitas

As algas silicosas ou crisófitas são unicelulares e de vida livre ou colonial. Sua parede celular é impregnada de sílica, constituindo uma camada em forma de concha bivalve. Vivem tanto na água doce como na salgada, e são conhecidas pelo nome de diatomáceas.

Clorófitas (algas verdes)

As clorófitas tanto podem possuir estrutura unicelular como multicelular. Os talos das clorófitas multicelulares apresentam uma organização relativamente complexa. Possuem os pigmentos clorofila a e b, carotenos e xantofilas, a parede celular é constituída por celulose e o amido e sua substância de reserva.

Feófitas (algas pardas)

As algas pardas caracterizam-se pela estrutura exclusivamente multicelular. As dimensões de seus talos podem variar de poucos centímetros até dezenas de metros. Assim como as clorófitas, algumas feófitas também podem apresentar um talo de organização mais complexa que as outras. Possuem os pigmentos clorofila a e c, carotenos e fucoxantina. A parede celular apresenta celulose e algina, e os óleos e a laminarina são as duas substâncias de reserva.

Rodófitas (algas vermelhas)

Estas algas são predominantemente multicelulares e também podem atingir dimensões consideráveis. É comum o seu talo apresentar diversas ramificações, sendo que a sua base é diferenciada e presa a algum substrato por estruturas de fixação. Possuem os pigmentos clorofila a e d, ficocianina e ficoeritrina, celulose e hidrocolóides na composição da parede celular, e amidodas florídeas, como substância reserva.

As algas e o homem

Além da contribuição no que se refere à renovação do oxigênio atmosférico, sustentar a vida aquática e a formação de nuvens e chuvas, as algas são úteis ao homem de diversas outras maneiras. As algas podem ser utilizadas em pesquisas científicas e empregados como excelentes meios de cultura, fertilizantes devido ao seu elevado teor nutritivo ou como ração para animais, fornecem interessantes matérias-primas empregadas pelo homem.

Além disso, as algas podem também ser responsáveis por alguns efeitos ambientais deletérios, como o fenômeno da floração das águas. Em condições favoráveis de crescimento, certas algas podem apresentar uma explosão populacional, tornando os reservatórios de abastecimento de água potável ou as lagoas pra o uso do gado temporariamente inutilizáveis. Este fenômeno costuma provocar a formação de uma camada de algas na superfície da água, dificultando a sua oxigenação a partir da atmosfera. É comum se observar grande mortandade de peixes que vêm à superfície tentando respirar, pois as algas, durante a noite, competem com eles pelo oxigênio. Quando as algas começam a morrer, passam a sofrer decomposição bacteriana, o que provoca um mau cheiro característico.

Outro fenômeno nocivo é o da maré vermelha causado por algas pirrófitas, como a Gonyaulax catanella e Gymnodium veneficum. Este fenômeno ocorre principalmente em épocas de reprodução das algas que liberam na água toxinas potentíssimas que acabam causando verdadeiras mortandades de peixes e outros animais marinhos.

As algas também podem causar prejuízos em usinas hidrelétricas, pois formam depósitos e incrustações nas hélices das turbinas, o que as inviabiliza.

Autoria: Denis Soares

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