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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Dietas Balanço de massa e energia é fundamental para perder peso

A maioria das dietas parte de um princípio científico correto e simples que consiste em analisar o processo de alimentação e seus efeitos sobre o peso corporal como um balanço de massa e energia.

Esta equação é baseada naquela regrinha que todo mundo conhece: energia e massa não se perdem ou criam, apenas se transformam. Assim temos:

total das massas e energias que entram em um sistema = total das massas e energias que saem do sistema + acúmulo de massa e energia no sistema.

Acúmulo positivo ou negativo
Este acúmulo pode ser positivo ou negativo e a figura abaixo dá um exemplo ilustrativo de balanço de massa:


Balanço de massa em um reservatório de água


Aplicando o balanço de massa temos:

massa que entra = massa que sai + acúmulo
20 l/min = 30l/min + acúmulo
acúmulo = - 10 l/min

Neste exemplo, o sistema, que no caso é o reservatório de água, apresenta um balanço de massa com um acúmulo negativo de 10 litros por minuto.

Isto quer dizer que a cada dez minutos sua quantidade total de água armazenada é reduzida em dez litros, o que implica que neste espaço de tempo o tanque estará vazio.

Balanço de massa e energia
As dietas padronizadas se baseiam no mesmo princípio sendo que, neste caso, o balanço de massa e energia considera como sistema o nosso corpo. Temos, então: total da massa dos alimentos metabolizados = total das massas de nutrientes queimados para geração de energia + acúmulo

Dos alimentos que ingerimos, uma parte da massa é excretada pelo corpo, não entrando na equação. O restante é a massa de alimentos metabolizados, aquela que o organismo submete às transformações químicas necessárias para suprir suas necessidades de energia e construção celular.

Metabolismo energético
O metabolismo energético é essencialmente uma combustão, na qual o carbono dos alimentos reage com o oxigênio da respiração, produzindo energia e dióxido de carbono residual, que é expelido pelos pulmões. Assim, podemos dizer que uma parte da massa dos alimentos é queimada pelo organismo, se transformando em gás carbônico que sai do sistema, neste caso, nosso corpo.

O restante da massa de alimentos ingerida e não queimada se transforma em acúmulo de massa. Dele, uma parte pode ser destinada pelo organismo à reposição celular, reconstruindo tecidos e órgãos do corpo ou como ganho de massa muscular.

Uma outra parte pode se transformar em acúmulo energético, por meio da formação de tecido adiposo que o organismo estoca para queimar quando necessário, ou seja, quando o balanço de massa e energia tiver acúmulo negativo.
Lembrando, tecido adiposo é o nome técnico dado para a tão temida e odiada gordura corporal.

As três possibilidades de balanço
Assim, o balanço de massa e energia das dietas segue três possibilidades:

1) Se a quantidade de alimentos ingerida é igual à quantidade queimada para geração de energia, então o acúmulo do sistema é zero e o peso corporal se mantém constante;
2) Se a quantidade de alimentos ingerida é menor que a quantidade queimada para geração de energia, então o acúmulo é negativo, forçando o corpo a queimar as reservas estocadas na forma de gordura, reduzindo o peso corporal;
3) Se a quantidade de alimentos ingerida é maior que a quantidade queimada para geração de energia, o acúmulo é positivo e o corpo estoca a energia excedente na forma de gordura, aumentando o peso corporal.

Dificuldades para emagrecer com dietas
Se as regras são tão simples, por que tantas pessoas não conseguem emagrecer, mesmo seguindo rigorosamente as dietas receitadas?

A resposta é que as pessoas nem sempre seguem as dietas com rigor; porém, há ainda um fator técnico decisivo a ser considerado. As dietas padronizadas podem definir com bastante precisão a quantidade de calorias - o total energético disponível na forma de energia química - nos alimentos ingeridos. E só.

No entanto, elas não podem estabelecer com exatidão quanto cada pessoa queimará da alimentação ingerida. Isto porque tudo depende do metabolismo de cada um que, em certos indivíduos, é alto, ou seja, os alimentos são queimados e a energia é produzida com mais facilidade do que em pessoas com o metabolismo baixo.

Diferentes metabolismos
Assim, o máximo que as dietas padronizadas podem fazer é partir de uma média dos metabolismos pesquisados e usar esta média como dado de referência. Mas, como em qualquer média, metade das pessoas estará acima e outra metade estará abaixo dela, apenas aqueles com metabolismos razoavelmente próximos da média obterão o resultado teórico previsto.

Além disto, diferentes metabolismos processam de modo distinto os nutrientes. Pessoas com tendência genética para o ganho de massa muscular tendem a transformar ingestões adicionais de proteínas em músculos, enquanto que as que não possuem este padrão metabólico ganham massa muscular muito mais lentamente, mesmo praticando a mesma dosagem e tipo de exercícios físicos do primeiro grupo.

Exercícios físicos
E, por falar em exercícios físicos, sabemos que eles são fundamentais em qualquer balanço de massa e energia com o objetivo de redução de gordura corporal, uma vez que quanto maior o nível de atividade física, maior a quantidade de energia requerida pelo corpo e, portanto, maior a quantidade de alimentos queimada para este fim.

Acontece, entretanto, que mesmo aí, cada metabolismo reage de maneira diferente. A relação entre a quantidade de exercícios executada, a de energia consumida e a de gordura corporal queimada para este fim varia de pessoa para pessoa. Devemos lembrar, de novo, que também as receitas de exercícios físicos se baseiam em médias estatísticas sendo que algumas vezes serão excessivas para alguns e insuficientes para outros interessados na perda de peso.

Uso do bom senso
Como sempre, nestes casos, o bom senso e a boa ciência mandam que se consulte um médico ou um especialista nutricional antes de se começar qualquer dieta. Assim, ela será indicada de acordo com o metabolismo específico de cada um.

Era o que a NASA fazia quando prescrevia a dieta de seus astronautas; mas, não se sabe como, alguém achou que a receita servia para todo mundo e acabou virando moda.

Como moda e saúde nem sempre se misturam, é mais importante dar mais atenção ao doutor que o atende do que ao último doutor da dieta milagrosa dos best sellers.

Carlos Roberto de Lana é engenheiro químico e professor.

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