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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A Cabanagem

Grão-Pará, 1835-1840
A Cabanagem foi o mais importante movimento popular do Brasil. Foi o único em que representantes das camadas humildes ocuparam o poder em toda uma província.
A decadente economia da província do Grão-Pará, que englobava os atuais Estados do Pará, parte do Amazonas, Amapá e Roraima, se baseava na pesca, na produção de cacau, na extração de madeiras e na exploração das drogas do sertão. Utilizava-se a mão-de-obra escrava negra e a de índios que viviam em aldeias ou já estavam destribalizados e submetidos a um regime de semi-escravidão.
Os negros, índios e mestiços compunham a maioria da população inferiorizada do Grão-Pará e viviam agrupados nas pequenas ilhas e na beira dos rios em cabanas miseráveis (daí o nome cabanos, como eram conhecidos).
Liderados a princípio por grupos da elite que disputavam o poder, os cabanos, insatisfeitos, resolveram assumir sua própria luta contra a miséria, o latifúndio, a escravidão e os abusos das autoridades. Invadiram Belém, a capital da província, depuseram o governo que havia sido imposto pelos regentes e assumiram o poder. Formou-se então o único governo do país composto por índios e camponeses.
Entretanto, a radicalização e a violência da massa cabana, a dificuldade em organizar um governo capaz de controlar as divergências entre os próprios cabanos e a traição de alguns chefes, que chegaram a ajudar as tropas e os navios enviados pelo governo central, causaram o fracasso do movimento.
Vencidos na capital pelas forças do governo, os cabanos reorganizaram as massas rurais e continuaram lutando até 1840, quando a província, pela força da opressão e da violência, foi obrigada a aceitar a pacificação.
A Cabanagem deixou um saldo de 40 mil mortos. Era mais um claro exemplo que a classe dominante não admitia a ascensão do povo ao poder nem as manifestações populares que colocassem em risco o domínio político da aristocracia.
Cronologia: Cabanagem

1835

6/janeiro: os rebeldes atacaram e conquistaram a cidade de Belém, assassinando o presidente Sousa Lobo e o Comandante das Armas, e apoderando-se de uma grande quantidade de material bélico.
7/janeiro: Clemente Malcher foi libertado e escolhido como presidente da Província e Francisco Vinagre para Comandante das Armas.
16/março: os cabanos comunicaram sua conquista à Regência, firmando-se solidamente no poder por diversas medidas de controle militar acertadas.

1/abril: foi nomeado Presidente e Comandante das Armas o mal Manoel Jorge Rodrigues ,estudado pelo cel Claudio Moreira Bento na História da 3 a Região Militar.

10/junho: Ele (Manoel Rodrigues) aportou em Belém,apoiado em forte esquema militar. Foi calorosamente recebido ,inclusive por cabanos.

25/junho: 1835 passou o governo do Pará que exercera por meio ano ao mal Manoel Jorge. Este substitui as forças cabanas pelas suas. Os cabanos simbolicamente devolveram suas armas e munições.Em realidade as melhores, em número estimado de cerca de 3.000, incluindo canhões ,eles as contrabandearam para o interior, para suas bases.

14/agosto: menos de 2 meses da posse do mal Manoel Jorge, os cabanos atacaram Belém.

22/agosto: pela desproporção de efetivos tornou-se insustentável a situação do mal Manoel Jorge, por sitiado por terra.

23/agosto: Na madrugada, o mal Manuel Jorge evacuou Belém e estabeleceu o Governo e seu Quartel General na ilha Tatuoca e bloqueou o porto de Belém.

26/agosto: Eduardo Angelim foi aclamado o "3 o presidente cabano" e passou a ter grande dificuldade para dominar a situação, por não conhecer os manejos da administração ,estar sob bloqueio naval e mesmo por desentendimentos entre as lideranças cabanas que o sustentavam no poder.
1836
9/abril: o mal Andréa reassumiu a Presidência e o Comando das Armas.Em operações conjuntas foram retomando varias posições cabanas.

13/abril: depois de cerca de 7 meses sob domínio cabano ,Belém retornou em definitivo ao controle da Regência.

20/outubro: no rio Pequeno, próximo do lago do Porto Real, as forças legais em operação conjunta conseguiram capturar Eduardo Angelim e outros líderes cabanos.
Dezembro: o marechal Andréa conseguiu retomar Santarém dos cabanos.Nesta altura se apresentou a um perigo potencial a Integridade Nacional do Brasil, traduzido pelo apoio aos cabanos, no Amapá ,de parte dos franceses que ali litigavam com Portugal e depois com o Brasil em torno de limites.

1837 e 1838

O esforço para desintegrar a resistência cabana atomizada na imensidão da Amazônia, prosseguiu durante esses anos, quando a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina atingiam o seu apogeu e para onde seguiria breve o mal Andréa depois de passar o governo do Pará ao dr João Antônio de Miranda que realizou excelente administração que terminou por reintegrar os cabanos.

1839


os cabanos cederam com a declaração de anistia aos revoltosos.

1840

o último foco rebelde, sob liderança de Gonçalo Jorge de Magalhães, se rendeu. Trabalho de reintegração e pacificação que foi consolidado com a maioridade de D,Pedro II.


Autoria: Roberto Massan e Marine Carvalho

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