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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Revolução Praieira


Os conflitos da Revolução Praieira se espalharam pelas ruas de Recife.
Os primeiros anos do cenário político do Segundo Reinado foram marcados por alguns resquícios da disputa política envolvendo liberais e conservadores. Os primeiros, que apoiaram a chegada de Dom Pedro II ao poder por meio do golpe da maioridade, se mobilizaram em uma série de fraudes nas eleições de 1840, que ficou conhecida como “eleições do cacete”. Em Minas e São Paulo, algumas agitações foram contrárias à decisão do imperador de dissolver a assembléia liberal eleita por vias fraudulentas.

Sem maiores dificuldades, as tropas imperiais foram acionadas para conter essas primeiras revoltas contra a autoridade de Dom Pedro II. Em contrapartida, o processo de pacificação conseguido na região Sudeste não deteve outras manifestações de caráter mais exaltado. Na província de Pernambuco um grupo anti-imperial realizava intensos ataques contra a estrutura de poder vigente por meio do jornal recifense “Diário Novo”.

O órgão de imprensa instalado na Rua da Praia acabou deixando esse grupo liberal conhecido de “praieiros”. Sob o aspecto ideológico esse grupo esteve fortemente influenciado pela literatura socialista utópica de pensadores como Robert Owen, Fourier e Proudhon. Mesmo fazendo esse tipo de leitura, não podemos classificá-los enquanto socialistas devido à existência privilégios vinculados a origem sócio-econômica seus participantes.

Entre as bandeiras de luta do movimento praieiro, destacamos a defesa do voto livre universal, a liberdade dos meios de comunicação e a dissolução do Poder Moderador. No que tange os problemas da província pernambucana, os liberais exigiam a quebra do monopólio político das oligarquias agrárias e a nacionalização do comércio, na época, fortemente controlado pelos portugueses. Em pouco tempo, senhores de engenho de pequeno porte, artesãos, profissionais liberais e setores da classe subalterna aderiram ao movimento.

A primeira vitória desse grupo político pernambucano se deu ainda em 1845, quando o liberal Antônio Pinto Chicorro da Gama foi eleito como governador provincial. A exaltação do grupo liberal em Pernambuco instigou o governo a destituir Chicorro. Em seu lugar, Dom Pedro II indicou um político conservador mineiro. Dessa forma, houve uma radicalização do movimento com a formação de um levante armado, em novembro de 1848.

A deflagração do conflito se iniciou na cidade de Olinda, e logo em seguida se estendeu para a região interiorana com o apoio de boiadeiros, arrendatários, negros e mulatos. Liderados por Pedro Ivo, os revoltosos se dirigiram à cidade de Recife, local dos maiores conflitos aramados. No início de 1849, as lutas entre os praieiros e as tropas do governo se desenvolveram, com posterior vitória das forças imperiais. A falta de apoio das regiões vizinhas e o poderio bélico imperial deram fim ao movimento.

Contrariando a tradicional repressão imprimida contra os rebelados, o governo de Dom Pedro II optou pela anistia de todos aqueles que estiveram envolvidos na revolta. Tal medida, na verdade, mostrava a postura política imperial naquele período. A lembrança das instabilidades vividas na regência servia de inspiração para que, sob o comando de Dom Pedro II, o equilíbrio entre as elites liberais e conservadoras fosse finalmente alcançado.
Por Rainer Sousa
Mestre em História

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