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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Os jornais e a censura do regime militar

Professor de Matemática no Colégio Estadual Dinah Gonçalves
E Biologia na rede privada de Salvador-Bahia
Professor Antonio Carlos carneiro Barroso
email accbarroso@hotmail.com
Extraído de http://www.alunosonline.com.br

Os jornais e a censura do regime militar

Rainer Sousa


Ao centro, um censor revisa uma edição do “Estadão” antes que a mesma chegasse às bancas de jornal.
Quando falamos em censura, logo nos reportamos aos tempos em que a Ditadura Militar controlou os meios de comunicação e manifestações artísticas do país. Contudo, esse tipo de controle já é bastante antigo em nosso passado, sendo já percebido durante a colonização. Naqueles tempos, a Coroa Portuguesa e os inquisidores da Igreja atuavam na busca de publicações que pudessem ter conteúdo inapropriado. Até o século XVIII, o Brasil não possuía nenhuma loja ou empresa de tipografia.

Durante o regime militar, os órgãos de comunicação foram duramente vigiados para que nenhum tipo de informação ofensiva contra o governo chegasse ao conhecimento da população. Afinal de contas, o impacto de uma denúncia ou a realização de alguma crítica poderia instigar a oposição ao governo e, em pouco tempo, ameaçar a longevidade do regime de exceção que controlou a nação brasileira por praticamente duas décadas.

Muitas vezes, o mecanismo de repressão do governo nem precisava chegar a anular a publicação de uma matéria pronta. Os próprios editores e jornalistas sabiam que tipo de notícia poderia inflamar os ânimos dos representantes do regime. Em alguns casos, antes que uma notícia fosse divulgada, era comum que os censores enviassem bilhetes ou fizessem ligações que já determinavam aquilo que não iria para as páginas de jornal. Já em outras situações, a visita de um censor empreendia um controle ainda maior.

Para que algumas informações fossem repassadas, os comunicadores dessa época utilizavam de uma série de recursos para então divulgar mensagens bastante sugestivas. Falsas previsões do tempo anunciando “tempo fechado” ou a chegada de “fortes ventos” poderiam indicar que a censura atuou de modo ferrenho contra o jornal. Muitas vezes, uma censura realizada de última hora tinha a capacidade de desorganizar uma página inteira já diagramada para a edição do dia seguinte.

Buscando a denúncia da ação da censura, alguns jornais publicavam poemas famosos ou receitas no lugar das notícias vetadas. A censura chegou a proibir que as páginas ficassem em branco. Imagine encontrar os versos de Camões no meio de um caderno de política ou uma receita de pão de queijo entre as páginas policiais. A sensação de estranheza e desconforto era bem menor do que a dos repórteres e redatores que tinham informações inteiras arrancadas de um veículo de comunicação de grande circulação.

Com o processo de abertura, iniciado em 1978, observou-se que os jornais começaram a ter maior liberdade para cumprirem a sua função pública original. No entanto, isso não quer dizer que hoje vivamos em uma era de plenas liberdades. A maciça injeção de verbas públicas em alguns veículos de comunicação forçou diversos jornalistas a não escreverem determinados assuntos em prol da manutenção do seu emprego. Parece que os tempos são outros, mas os dilemas ainda vigoram de certo modo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A composição étnica do povo brasileiro

A composição étnica do povo brasileiro

Por Eduardo de Freitas




O Brasil têm muitas “caras”.
O povo brasileiro é caracterizado pela miscigenação, ou seja, pela mistura entre grupos étnicos. A diversidade étnica da população brasileira é resultado de pelo menos 500 anos de história, em que aconteceu a mistura de basicamente três grupos, são eles: os índios (povos nativos), brancos (sobretudo portugueses) e os negros (escravos).

A partir da mistura das raças citadas, formou-se um povo composto por brancos, negros, indígenas, pardos, mulatos, caboclos e cafuzos. Desse modo, esses são grupos identificados na população do país.

O branco

No Brasil, o percentual de pessoas consideradas brancas é de aproximadamente 54%, há uma concentração maior desse grupo étnico na região Sul (83%), seguida pelo Sudeste (64%). Os brancos, em sua maioria, são descendentes de imigrantes europeus que vieram para o Brasil, como os portugueses no século XVI e mais tarde, por volta do século XIX, italianos, alemães, eslavos, espanhóis, holandeses, entre outras nacionalidades de menor expressão.

O Negro

Os negros ou afro-descendentes têm sua origem a partir dos escravos que vieram para o Brasil entre os séculos XVI e XIX, fato que caracterizou como uma migração involuntária, tendo em vista que os mesmos não vieram por livre e espontânea vontade, mas forçados. No decorrer dos séculos citados, o país recebeu cerca de 4 milhões de africanos. Hoje, esse grupo étnico se concentra em maior número na região Nordeste e Sudeste, áreas onde se encontravam as principais fazendas de cana-de-açúcar e café.

O índio

Grupo étnico autóctones. Povos que habitavam o país antes da chegada dos colonizadores europeus, nesse período a população era estimada em aproximadamente 5 milhões de pessoas. Após séculos de intensa exploração, os índios praticamente foram dizimados. Atualmente, os índios se concentram quase que restritamente na região Norte, com cerca de 170 mil; e no Centro-Oeste, com aproximadamente 100 mil. Existem outros 80 mil dispersos ao longo de outras regiões brasileiras.

O pardo

Esse grupo é também chamado de mestiço, em virtude da mistura entre brancos, negros e indígenas. Os mesmos produzem três variedades de miscigenação, dentre elas podemos destacar ainda os mulatos, oriundos da mistura entre brancos e negros, que respondem por cerca de 24% da população.

Os caboclos respondem por aproximadamente 16% da população nacional, esses são oriundos da mistura entre brancos e indígenas. São encontrados especialmente no interior do país, onde se encontra a maioria dos grupos indígenas.
Temos ainda os cafuzos, mestiços oriundos da mistura entre negros e índios, dentre as variações de miscigenações ocorridas no Brasil, essa é a mais difícil de acontecer, tendo em vista que eles representam somente 3% da população. No país os cafuzos são encontrados especialmente na Amazônia, na região Centro-Oeste e Nordeste.

Mata dos cocais

Mata dos cocais

Eduardo de Freitas




Carnaúba
Considerado o bioma de transição de distintas vegetações – florestas úmidas da Amazônica, as terras semiáridas do Nordeste brasileiro (caatinga) e o cerrado –, a mata dos cocais está presente na porção oeste do Piauí, leste do Maranhão e norte do Tocantins.
O clima varia de acordo com a região, sendo superúmido a oeste e semiárido a leste. O índice pluviométrico (chuvas) é elevado, entre 1.500 mm a 2.200 mm anuais; já a temperatura média anual é de 26 °C. A vegetação é formada predominantemente por palmeiras, tais como o babaçu, buriti, oiticica e carnaúba.
Nas áreas mais úmidas, localizadas próximas à Amazônia, é comum encontrar o babaçu, que pode atingir de 15 a 20 metros de altura. Essa palmeira é de grande importância econômica, pois sua semente é utilizada pelas indústrias alimentícia, de medicamentos e de cosméticos. O buriti, também encontrado em abundância nessa região, é a principal matéria-prima dos artesãos.
Ao leste, na porção de clima semiárido, encontra-se a carnaúba, cuja altura pode ser de até 20 metros. Também apresenta valor econômico: a folha é empregada como matéria-prima nas indústrias eletrônicas, lubrificantes, perfumarias e na fabricação de plástico e adesivo. A oiticica, por sua vez, é utilizada na fabricação de biocombustíveis, produtos de beleza e higiene.
A fauna é bastante diversificada, composta por espécies da floresta Amazônica, caatinga e cerrado, além de algumas endêmicas, ou seja, encontradas apenas na mata dos cocais. Entre os animais desse bioma estão a arara-vermelha, cobras, gambás, lagartos, macacos, boto, ariranha, vários insetos e aves.

Caatinga

Caatinga

Alunos Online




Aspecto da vegetação da caatinga
Considerado o único bioma exclusivo do Brasil e um dos três espaços semiáridos da América do Sul, a caatinga (“mata branca”, em tupi-guarani) está presente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, Piauí e Minas Gerais, abrangendo uma área de aproximadamente 750 mil quilômetros quadrados.
Com predominância do clima semiárido, as temperaturas médias anuais são elevadas, variando entre 25 °C e 29 °C. As secas são bastante prolongadas, podendo durar até sete meses, incluindo todo o inverno e parte do outono e da primavera. A média anual de precipitações (chuva) varia entre 268 e 888 mm. As chuvas são mais comuns no início do ano (verão) e o poder de recuperação do bioma é muito rápido; surgem pequenas plantas e as árvores ficam cobertas de folhas.
Com solo raso e pedregoso, a vegetação da caatinga é composta por plantas adaptadas à aridez (xerófilas). Algumas armazenam água, outras possuem raízes superficiais para captar o máximo de água da chuva e do lençol freático, além daquelas que contam com recursos pra diminuir a transpiração (espinhos e poucas folhas). Entre as representantes da vegetação da caatinga estão: xiquexique, mandacaru, faveiro, catingueira, macambira, cacheiros, palmatória-de-espinhos, juazeiro, umburana, umbuzeiro, aroeira e a braúna.

Asa-branca
Ao contrário do que muitos pensam, a fauna da caatinga é bastante diversificada, formada por vários insetos, répteis (cobras e lagartos), roedores, aracnídeos, cachorros- do-mato, arara-azul, sapo-cururu, asa-branca, cutia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatupeba, sagui-do-nordeste, entre outros.
Cerca de 25 milhões de pessoas habitam as áreas da caatinga. Essa ocupação já alterou mais de 80% da cobertura original do bioma, que atualmente possui 1% de sua área protegida por unidades de conservação. A agricultura, a pecuária extensiva e o extrativismo são algumas das atividades responsáveis pela destruição da caatinga.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Mata Atlântica

Wagner de Cerqueria e Francisco




Aspecto da Mata Atlântica
A Mata Atlântica é o terceiro maior bioma brasileiro em extensão territorial. Há 500 anos, ela cobria aproximadamente 15% do que atualmente é o território nacional, com 1,3 milhões de quilômetros quadrados na zona litorânea do Brasil. Em consequência do intenso desmatamento, restaram apenas 7% da mata original. Atualmente, a mesma é considerada um dos biomas mais ameaçados do planeta.

Sua composição não é homogênea, uma vez que se forma por um mosaico de diferentes ecossistemas, com estruturas e interações ecológicas distintas em cada região. A Mata Atlântica faz transições ou contato com todos os grandes biomas do Brasil Atlântico: caatinga, cerrados, mangues, campestres e planaltos de araucárias.


Quanto ao relevo, este é caracterizado por planaltos e serras. O clima predominante é o tropical quente e úmido, apresentando temperaturas médias elevadas e altos índices pluviométricos. Em virtude da densidade da vegetação, a luz no interior da mata é extremamente reduzida.


A Mata Atlântica apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta. No entanto, se considerarmos a biodiversidade vista de um modo geral, a da Floresta Amazônica apresenta-se superior, pois ela é menos desmatada e possui também uma extensão territorial mais ampla.
Quanto à hidrografia, o bioma em questão abrange as bacias hidrográficas do Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco.

A vegetação é marcada por espécies como, a peroba, ipê, quaresmeira, cedro, canela, imbaúba, jequitibá-rosa e as figueiras. O jacarandá e o pau-brasil foram praticamente dizimados, em virtude da intensa exploração madeireira. Poucas áreas da Mata Atlântica possuem vegetação original, como é o caso da Serra do Mar, que, em decorrência do difícil acesso humano, ainda continua preservada.

A fauna é bem diversificada, composta pelo tamanduá, tatu-canastra, onça-pintada, lontra, mico-leão, macaco muriqui, anta, veado, quati, cutia, bicho-preguiça, gambá, diversas espécies de aves, entre tantos outros. Em consequência da grande devastação do bioma, 200 espécies estão ameaçadas de extinção e outras, já foram totalmente extintas.
Entre elas destacam-se: o mico-leão, macaco muriqui, lontra, tatu-canastra e a onça-pintada.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Cinema

Por Patrícia Lopes




Principal elemento do cinema
Cinema consiste na arte de produzir obras estéticas, narrativas ou não, utilizando a técnica de projetar fotogramas de forma rápida e sucessiva, criando a impressão de movimento.

Um dos momentos mais importantes para o desenvolvimento das artes foi a invenção da fotografia, principalmente da fotografia animada. O cinema é possível graças à invenção do cinematógrafo criado pelos irmãos Lumière no final do século XIX. Esses foram os primeiros a conseguir passar um filme num ritmo constante por meio de uma película. A primeira apresentação de cinema aconteceu no Grand Café, em Paris, em 28 de dezembro de 1895. A apresentação foi composta por uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada, uma vez que os rolos de película tinham quinze metros de comprimento.

A primeira sala construída especificamente para a projeção de filmes surgiu em Nova York, Estados Unidos, no ano de 1913. Com a Primeira Guerra Mundial, houve um declínio da produção européia, enquanto se assistia a ascensão dos filmes norte-americanos, com o estabelecimento do cinema espetáculo. Um grupo de produtores cinematográficos instalou-se em Hollywood, onde surgiu o templo do cinema.

O Oscar, troféu concedido anualmente às melhores produções de cinema, em 24 categorias, foi criado em 1927. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (EUA) responsável por outorgá-lo, compõe-se de 5 mil membros, entre atores, atrizes, produtores, roteiristas, cenógrafos, diretores e fotógrafos.

O principal evento do cinema europeu é o Festival de Cannes, que acontece anualmente em maio, na França.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Consciência negra: valorizar a identidade

Foto: alunos brincando
Revelando a riqueza da cultura africana é possível combater preconceitos dos brancos e reforçar a auto-estima dos negros
O que é o Dia da Consciência Negra? Celebrado no dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra homenageia e resgata as negras raízes do povo brasileiro. Escolhido por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, ele é dedicado à reflexão sobre presença do negro na sociedade brasileira. "O Dia da Consciência Negra sinaliza a ideia do marco, marca o valor da conquista da liberdade deste grupo", explica Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista.

O dia da Consciência Negra também põe em pauta a importância de discutir a temática negra na escola. A inclusão de assuntos ligados à África e ao povo negro na educação formal é uma das estratégias para reconhecer a presença desse grupo na história do Brasil - os negros correspondem a 6,8% da população brasileira segundo o IBGE, mas os chamados "pardos" chegam a um número próximo da metade da população brasileira. Não à toa, escolas e instituições diversas já reconhecem a importância de trabalhar a cultura negra em seu dia a dia.

Hoje, a lei brasileira obriga as escolas a ensinarem temas relativos à história dos povos africanos em seu currículo. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que a diversidade cultural do país deve ser trabalhada no âmbito escolar. "A sociedade em que vivemos valoriza outro estereótipo, o que resulta na invisibilização do negro. Isso tem um efeito bastante perverso: as crianças negras nunca se vêm e o que elas olham é sempre diferente delas", explica Roseli, que coordenou o grupo responsável pelo documento sobre Pluralidade Cultural nos PCNs. "A pluralidade cultural é um tema que pode ser abordado de forma transversal, em várias disciplinas", conclui. Estratégias simples, como a introdução de bonecas negras, podem ter um efeito positivo para reforçar a identificação cultural dos alunos negros. "Revelar a África pela própria visão africana também surte efeito. O continente produz cultura, histórias e mitologia, o que a perspectiva eurocêntrica não nos deixa ver", diz Oswaldo de Oliveira Santos Junior, pesquisador do Núcleo de Educação em Direitos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo.

Veja a seguir como pais e professores podem fazer sua parte na valorização da Consciência Negra.

Leia mais: Filme que traça panorama da história dos negros no Brasil ajuda professores a abordarem a cultura africana na escola

Dia da Consciência Negra

>> 20 de Novembro - Dia da Consciência Negra







Os textos abaixo focalizam as diferentes formas de discriminação e preconceito. Parte do material apresenta dados históricos, que explicam a origem das divergências entre povos e raças no Brasil e relatam o processo de escravidão, da colonização até a abolição. Focalizam, também, experiências educacionais sobre o tema e atividades desenvolvidas por professores em sala de aula.



Links

Convenção relativa à escravatura
Convenção sobre a escravatura assinada em Genebra, em 25 de setembro de 1926. Aberta à assinatura ou à aceitação na sede da Organização das Nações Unidas (Nova York), em 7 de dezembro de 1953, e a Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura, adotada em Genebra, a 7 de setembro de 1956.

http://www.direitoshumanos.usp.br/counter
/Onu/Emprego_protecao/texto/texto_2.html

O senado e a abolição da escravatura
Disponibiliza textos com informações sobre: adesão da Princesa Isabel à causa abolicionista; esforço político e assinatura da Lei Áurea.

http://www.senado.gov.br/comunica/historia/nonas.htm

Escravidão negra
Desde a origem da escravidão até a abolição, este site relata o trabalho, a cultura africana, a religiosidade, entre outros aspectos da vida desse povo.

http://consorcio.bn.br/escravos/introducao.html

África negra (colonização, escravidão e independência)
Conta a história do tráfico de escravos, da colonização e da luta pela abolição da escravatura. Tem também informações de países, líderes e movimentos africanos.

http://www.terra.com.br/voltaire/mundo/africa4.htm

Campanha abolicionista
Informações sobre os interesses e os fatos que resultaram na abolição dos escravos.

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/11/16/001.htm

Zumbi
Contém a biografia do líder negro Zumbi, a história dos primeiros quilombos, do tráfico negreiro e da abolição da escravatura.

http://www.zbi.vilabol.uol.com.br

Documentos da Organização Internacional do Trabalho - OIT
Página do site da Biblioteca Virtual de Direitos Humanos da USP, que apresenta documentos da Organização Internacional do Trabalho. Abordam assuntos como justiça, discriminação e trabalho.

http://www.direitoshumanos.usp.br/counter/Oit/OIT.html

Portal Palmares
A Fundação Cultural Palmares é uma entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura, que busca a preservação da cultura afro-brasileira. No site há publicações, legislação, indicação para outros sites e informações de projetos.

http://www.palmares.gov.br

Religião e cultura negra
Texto sobre as religiões africanas inseridas na América. Esclarece superficialmente como se originaram, os dogmas, as doutrinas, as transformações e a diversidade de estilos existentes.

http://www.orixas.com.br/portal/index.php?
option=com_content&task=view&id=5&Itemid=6

Racismo nas escolas
Apresenta exemplos de discriminação racial no cotidiano escolar e também as ações do Ministério da Educação para combatê-la.

http://www.fundaj.gov.br/tpd/147.html

Racismo made in Brazil
Artigo sobre a origem do preconceito racial no Brasil. Estabelece comparações com a cultura e a discriminação que ocorre em outros países.

http://ruibebiano.net/zonanon/actual/lcl021211.htm

Diversidade cultural e fracasso escolar
Texto que introduz uma reflexão sobre as diferenças culturais, a discriminação e o fracasso escolar.

http://www.mulheresnegras.org/azoilda.html

Educação e diversidade cultural: refletindo sobre as diferentes presenças na escola
Este artigo coloca em debate as diferenças encontradas na escola, já que é um espaço socio-cultural onde há culturas diversas.

http://www.mulheresnegras.org/nilma.html

O racismo na sociedade brasileira
Apresenta textos sobre discriminação racial e a forma de inserção do negro no mercado de trabalho e na sociedade como um todo.

http://www.geocities.com/CollegePark/
Lab/9844/racismo.htm?200630

A Revolta dos males
Trata da revolta ocorrida em Salvador na Bahia em 1835. Negros muçulmanos que liam e escreviam no idioma árabe, se insurgiram contra a escravidão e a imposição da religião católica.

http://www.smec.salvador.ba.gov.br/documentos/a-revolta-dos-males.pdf



Reportagens

O Brasil Negro
Reportagem da revista Com Ciência, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC.

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/grp_l.php?t=002

Mundo Negro
O maior portal da comunidade afro-brasileira, com artigos, notícias, agenda, cultura e educação.

www.mundonegro.com.br

A mulher trabalhadora é o negro de saias
Neste artigo, Gilberto Dimenstein aborda a questão da discriminação por parte do mercado de trabalho brasileiro em relação às mulheres e aos negros.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/gd300400.htm



Multimídia

Videoconferência
Videoconferência de encerramento do módulo II do “Programa SP: educando pela diferença para a igualdade”. Conta com a participação do professor Valter Silvério, da Universidade Federal de São Carlos. O programa é um curso de formação continuada que trabalha com conceitos de diversidade étnico-racial que busca sensibilizar e capacitar professores para a discussão da questão racial no currículo escolar, mostrando a história e a cultura africanas.

http://media.rededosaber.sp.gov.br//CENP/Streaming00000093.wmv



Eventos

Noite dos abolicionistas
Palestra co Sidney Chalhoub – Prof/Unicamp.
Autor do livro Visões da Liberdade que trata das últimas décadas da escravidão na corte.
Dia 20/11/2008 - SESC CONSOLAÇÃO 20hs30.


Livros

A ABOLIÇÃO - Emília Viotti da Costa
Editora UNESP -2008
O livro aborda o processo de luta pela abolição da escravidão no Brasil e desmistifica a imagem da abolição como doação da princesa Isabel em 1888 - não como exigência de um sistema de produção. A autora relata os diversos momentos, personagens e aspectos do processo abolicionista que libertou os brancos do fardo da escravidão e abandonou os negros à sua própria sorte.

DA SENZALA À COLÔNIA - Emília Viotti da Costa
Editora Cia das Letras -1998
Referência fundamental para o desvendamento dos traços constitutivos da nacionalidade. A autora centra sua análise no período em que se dá o trânsito do trabalho escravo para o trabalho livre. Partindo de um exaustivo rastreio de fontes primárias, ela analisa as particularidades do período colonial a partir de suas conexões com a expansão cafeeira.

COROAS DE GLÓRIA, LÁGRIMAS DE SANGUE - Emília Viotti da Costa
Editora Cia das Letras -1998
A autora reconstrói uma das maiores revoltas de escravos ocorrida na Guiana Inglesa em 1823: escravos que demandam seus direitos, senhores ciosos de seus privilégios, missionários dilacerados entre seus deveres de brancos e suas obrigações de cristãos.


Filmes

A ÚLTIMA CEIA
Dir. Tomás Gutierrez Alea- 1976
Filme cubano que discute o choque de classes e as bases materiais e ideológicas do processo revolucionário.

O FIO DA MÉMORIA
Dir. Eduardo Coutinho - 1991
Documentário sobre o negro na história brasileira.

ATLÂNTICO NEGRO: NA ROTA DOS ORIXÁS
Dir. Renato Barbieri - 1998
Documentário sobre a grande influência africana na religiosidade brasileira.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Enamorados do Neolítico

Enamorados do Neolítico

Rainer Sousa


Um casal de esqueletos levanta suspeitas sobre o amor na Idade da Pedra.
É comum, ao estudarmos a Pré-História, nos depararmos com as várias transformações vividas pelo homem na passagem do Paleolítico para o Neolítico. O domínio das técnicas de plantio e a vida sedentária são dois grandes eventos que determinaram uma grande reviravolta. Contudo, engana-se quem acha que esses tempos se resumem a um gélido processo de dominação da natureza.

Recentemente, um grupo de cientistas italianos encontrou dois esqueletos com mais de cinco mil anos, na cidade de Mantova, norte da Itália. Pela primeira vez, os arqueologistas tiveram a oportunidade de encontrar um enterro duplo com tão longa data. Contudo, o que mais impressiona é que os esqueletos se encontram abraçados, sugerindo a última morada de um casal em união. Além disso, as pesquisas preliminares sugerem que eles tenham morrido jovens.

A imagem de um casal de jovens enterrados juntos logo fez com que a imprensa chamasse a ossada de “Casal do Neolítico” ou “Romeu e Julieta da Pré-História”. Infelizmente, contrariando a especulação dos mais românticos, os cientistas disseram ser muito difícil revelar as circunstâncias da morte ou maiores detalhes do ritual funerário. Recentemente, os responsáveis pelo estudo dos esqueletos disseram que, em algumas regiões, era comum a mulher ser sacrificada após a morte do marido.

Mesmo sem uma definição sobre o caso, a ossada demonstra uma interessante prática funerária para esse período. O preparo da posição dos corpos sugere que as populações neolíticas já organizavam regras e costumes para depositarem os seus mortos. Apesar de não ser uma “prova do amor na Idade da Pedra”, a organização mantenedora do achado arqueológico garante que eles serão mantidos em sua posição original.

Confederação do Equador


Pernambuco protagonizou o levante separatista contra o governo de Dom Pedro I.
O tom autoritário e elitista impresso desde o início do governo de Dom Pedro I, instalou um clima de insatisfação no interior de diversas províncias do Brasil. A dissolução abruta da assembléia de 1824, fez com que muitos líderes políticos locais se opusessem às exigências imperiais. Na região nordeste, essa questão era ainda mais delicada quando levamos em conta as constantes crises econômicas que assolaram as províncias nordestinas, principalmente devido à estagnação da economia açucareira.

Foi nesse contexto de miséria e disputa pelo poder que em Pernambuco estabeleceu-se um movimento contrário aos ditames de Dom Pedro I. Na época, a dissolução da Assembléia foi seguida pela deposição do então governador Manuel de Carvalho Paes de Andrade. Depois de perder o seu cargo, Paes de Andrade rapidamente mobilizou forças para organizar um movimento separatista na região nordeste. Seria criado um novo Estado com o nome de Confederação do Equador.

Em pouco tempo, a revolta nascida em Pernambuco ganhou apoio das províncias do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Instaurado entre as populações urbanas do nordeste, a Confederação defendia a criação de um governo republicano. Entre suas primeiras medidas, o movimento decretou o fim do tráfico negreiro e o recrutamento militar obrigatório das populações subordinadas ao novo governo. As lideranças populares da Confederação – representadas por Frei Caneca, Cipriano Barata e Emiliano Munducuru – ainda exigiam reformas mais radicais semelhantes as da Revolução Haitiana.

Entre outras propostas, as alas populares da Confederação do Equador sonhavam com a criação de um governo controlado pelas camadas populares e o fim da escravidão. Em contrapartida, as elites agrárias participantes do movimento discordavam com tais medidas e, logo em seguida, desertaram da ação antiimperial. A cisão interna do movimento seria o triunfo necessário para que as tropas de Dom Pedro I pudessem combater o levante nordestino.

Obtendo empréstimos com a Inglaterra, Dom Pedro I formou um exército comandado por Francisco Lima e Silva e contratou os serviços do mercenário britânico lorde Cochrane. Em setembro de 1824, um bloqueio naval pressionou os confederados. Em terra, as elites dissidentes formaram milícias que auxiliaram no fim da Confederação do Equador. Sem muitas opções, Paes de Andrade conseguiu refugiar-se na Inglaterra. No entanto, outros líderes separatistas não tiveram a mesma sorte e acabaram sendo mortos pelas autoridades imperiais.

Um tribunal dirigido pelo próprio Francisco Lima e Silva julgou e condenou dezesseis revoltosos. Entre os condenados estava Frei Caneca, que foi sentenciado à morte por enforcamento. No entanto, os responsáveis pela execução, sabendo da popularidade e da origem religiosa de Frei Caneca, negavam-se a cumprir a sentença. Com isso, sua pena foi mudada para a morte por fuzilamento.
Por Rainer Sousa
Mestre em História

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Guerra de Canudos

Introdução
Para entendermos a Guerra dos Canudos e a violência com que foi esmagada a revolta camponesa é preciso restabelecer o cenário histórico em que ela ocorreu. Não pode-se entender Canudos isoladamente, sem conhecer as circunstâncias históricas e políticas que a provocaram.
O Brasil estava em permanente ebulição, desde 13 de maio de 1888 com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, acontecimentos espetaculares e traumáticos se sucediam um ao outro. A Questão Militar que vinha se arrastando desde 1883, com o debate em torno da doutrina do soldado-cidadão, que defendia a participação dos oficiais nas questões políticas e sociais do país, teve uma conclusão repentina, com o golpe militar republicano de 15 de novembro de 1889.
A derrubada da Monarquia, que de imediato foi sem derramamento de sangue, terminou por provocar reações anti-republicanas. Uma nova constituição foi aprovada em 1891, tornando o Brasil uma república federativa e presidencialista no modelo norte-americano. Separou-se o estado da Igreja (o que vai provocar a indignação de Antônio Conselheiro) e ampliou-se o direito de voto (aboliu-se o sistema censitário existente no Império e permitiu-se que todo o cidadão alfabetizado pudesse tornar-se cidadão).
As dificuldades políticas da implantação da República se aceleraram com a crise inflacionária provocada pelo Encilhamento, quando o Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, autorizou um aumento de 75% na emissão de papel-moeda nacional. Houve muito desgaste do novo regime devido ao clima de especulação e de multiplicação de empresas sem lastro (mais de 300 em um ano apenas). O presidente da República, Mal. Deodoro da Fonseca chegou a fechar o Congresso, o que serviu de pretexto para a Marinha de Guerra rebelar-se exigindo e conseguindo sua renúncia , o que ocorreu em 23 de novembro de 1891. Deodoro doente retirou-se, sendo substituído pelo vice-presidente Mal. Floriano Peixoto.
Em fevereiro de 1893 estoura no Rio Grande do Sul a revolução federalista, quando maragatos insurgem-se contra o governo de Júlio de Castilhos, conduzindo o estado a uma dolosa guerra civil. Neste mesmo ano em setembro, ocorre o segundo levante da Armada, novamente liderado pelo Al. Custódio de Melo, seguida pela adesão do Al. Saldanha da Gama, que chega a bombardear o Rio de Janeiro, Floriano Peixoto mobiliza a população para a defesa da capital e Custodio de Melo resolve abandonar a baía da Guanabara para juntar-se aos maragatos que haviam ocupado Desterro (em Santa Catarina). A guerra no sul militarmente se encerra com a morte de Gumercindo Saraiva o guerrilheiro maragato em 1894, e com derrota da incursão do Al. Saldanha da Gama na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai em 1895. A guerra tinha produzido mais de 12 mil mortos em uma parte deles havia sido vítima de degolas de parte a parte. Coube ao novo presidente, Prudente de Morais, alcançar a pacificação que é assinada em Pelotas em agosto de 1895.
Foi nesse pano de fundo turbulento, marcado por transformações repentinas e radicais, pela abolição da escravidão, pelo golpe republicano, pelo fechamento do Congresso, pelo estado de sítio, por dois levantes da Armada e por uma cruel Guerra Civil, que a população urbana ouviu com espanto a notícia, em novembro de 1896, de que uma expedição de 100 soldados havia sido derrotada pelos jagunços do interior da Bahia. Começava então a Guerra de Canudos.
A Guerra de Canudos (1896-1897)
Provavelmente se o quadro político brasileiro dos primeiros anos de República não fosse tão conturbado talvez os episódios de Canudos tivessem outro desenlace. Mas a notícia de que tropas regulares haviam sido desbaratadas pêlos fiéis do Conselheiro fez com que as autoridades e a própria população dos grandes centros urbanos, particularmente do Rio de Janeiro, visse naquilo a mão ardilosa dos monarquistas.
Se por um lado era evidente que o Conselheiro pregava contra a república, estimulando a que não se lhe pagassem tributos e até espantasse os funcionários que representavam a justiça e o casamento civil, não pode-se negar seu conteúdo religioso. Canudos assemelha-se às incontáveis rebeliões religiosas, lideradas por fanáticos, chamados de profetas, que se dizem enviados ou mensageiros dos céus. Reúnem ao seu redor um bando de crentes aos quais é assegurada não só a salvação como muitas vezes a imortalidade.
Repudiam o mundo ao seu redor, denunciado como corrupto e de estar a serviço das forças demoníacas. Só os justos se salvarão. Só aqueles que se dedicam inteiramente as rezas e a comunidade dos crentes serão os eleitos. Seu comportamento erradio e agressivo para com os outros e seu fanatismo militante faz com que se indisponham com o resto da sociedade. Os atritos daí decorrentes, fazem com que a polícia ou a milícia termine por se envolver com eles. As tentativas de apaziguamento fracassam. Eles resistem a qualquer de dispersar. Ao contrário, a presença das autoridades faz com que se aglutinem com maior fervor em torno do profeta. Armam-se. O profeta lhes assegura que caso morram na defesa da Nova Jerusalém, Jesus lhes garantirá a vida por mais mil anos ainda.
Antônio Conselheiro e Nova Jerusalém
Antônio Conselheiro já era uma figura bastante conhecida nos sertões nordestinos desde a década de 1870. Era caixeiro de loja e graças a uma infelicidade pessoal - foi abandonado pela mulher - partiu para uma vida de eremita, cruzando o sertão de cima a baixo. Por onde andava procurava consertar os cemitérios e melhorar as igrejas. A fama das suas prédicas começou a se espalhar e gente miserável começou a segui-lo. Sua aparência assemelhava-se aos profetas bíblicos, com uma vasta cabeleira que lhe caia pelos ombros e vestido com um brim comprido que lhe chegava aos pés e um cajado nas mãos. Parecia um personagem saído diretamente das Velhas Escrituras.
Hostilizado pela maioria dos padres do interior que não lhe suportavam a concorrência e a crescente popularidade, o Conselheiro resolveu, em 1893, isolar-se em Canudos, um lugarejo paupérrimo, nas margens do rio Vasa-barris, no sertão baiano. Rebatizou-a de Monte Santo. Em pouco tempo um fluxo constante de romeiros para lá se dirigiu. O Conselheiro rejeitava a república. Considerava-a coisa satânica por ter instituído o casamento civil. Como a Igreja Católica acomodou-se com a nova ordem, coube a ele liderar a rebeldia. Tratava-se de constituir um outra sociedade, onde os princípios dogmáticos da religião seriam estritamente obedecidos. Não se bebia em Canudos, e o maior delito era não comparecer as rezas coletivas. Também serviu de abrigo a marginais e bandidos que lá procuravam refúgio e de onde saíam para novos barbarismos.
Em pouco tempo o Conselheiro formou uma espécie de pequeno estado dentro do estado. As autoridades fizeram então uma frente. Coronéis assustados com a fuga de mão de obra e com os surgimento de uma outra liderança aproximaram-se da igreja que via nele um herético. Um desentendimento com um lugarejo vizinho foi o pretexto que as autoridades aguardavam para mandar intervir militarmente. No início de novembro de 1896 uma força de 100 praças, sob o comando do Ten. Manuel Ferreira, foi enviada para Juazeiro e depois para Uauá onde é destroçada pelo ataque dos jagunços em 21 de novembro.
Foram necessárias mais três expedições militares, a última com quase 5 mil homens e artilharia para submeter a "Tróia de taipa". A população lutou até o fim. Umas 300 mulheres, velhos e crianças se renderam. Os homens sobreviventes foram degolados e os que resistiram até o fim foram baionetados numa luta corpo-a-corpo que se travou dentro do arraial, no dia do assalto final, em 5 de outubro de 1897. Antônio Conselheiro, morto em 22 de setembro, teve seu corpo exumado e sua cabeça decepada para estudos frenológicos. O Gen. Artur Oscar determinou que os 5.200 casebres fossem pulverizados a dinamite. E assim, onze meses depois do entrevero de Uauá, terminou Canudos.
As quatro campanhas contra Canudos
Campanhas Acontecimentos
1ª Campanha: 4 a 21 de novembro de 1896 Governador da Bahia ordena expedição para defesa de Juazeiro ameaçada pelos jagunços de Antônio Conselheiro. Expedição com 100 praças comandada pelo ten. Manuel Ferreira. Segue até Uauá onde é derrotada na madrugada pelos jagunços no dia 21 de outubro. O médico enlouquece. Retirada para Juazeiro.
2ª Campanha: 25 de outubro de 1896 a 20 de janeiro de 1897 Comandada pelo Major Frebônio de Brito, com 543 praças e 14 oficiais e 3 médicos. Travessia do Cambaio, primeiro e segundo combate. Mais de 400 jagunços mortos. Retirada em frente a Canudos, para Monte Santo. Militares vaiados. Debandada geral.
3ª Campanha: 8 de fevereiro a 3 de março de 1897 Expedição Moreira César. Chega a Queimadas com 1.300 homens. Chega a Monte Santo e dali para Canudos. Assalto ao arraial em 2 de março. Morte de Moreira César. Expedição dissolvida bate em retirada.
4ª Campanha: 16 de junho a 5 de outubro de 1897 Expedição comandada pelo Ge. Artur Oscar, dividida em duas colunas (gen. João Barbosa e Amaral Savaget), uma com 1.933 homens e a outra com 2.350. Combate de Cocorobó. Duas colunas chegam a Canudos. Assalto ao arraial: 947 baixas. Chegam reforços de 2 brigadas da Bahia. Bombardeio sobre Canudos. Combate de Coxomongo. Morre Antônio Conselheiro no dia 22. No dia 24 de setembro Canudos encontra-se sitiada. Assalto final em 1º de outubro: 567 baixas. 300 prisioneiros (mulheres, velhos e crianças), dia 5 morrem os 4 últimos resistentes. As 5.200 casas são dinamitadas.
"Os Sertões"
Nenhum outro episódio da história nacional até então ocorrido (Inconfidência mineira, independência, Revolta dos Cabanos, a Sabinada, a Praieira, a Revolução Farroupilha, etc...) gerou um relato literário e épico da dimensão de "Os Sertões" de Euclides da Cunha, publicado em 1902. Euclides havia sido enviado em setembro de 1897 para cobrir pelo jornal "O Estado de São Paulo" os acontecimentos de Canudos. Lá chegando resolveu torná-lo tema de um livro. Sua idéia era inserir aquele conflito nos fins de mundo do Brasil no cenário dos grandes enfrentamentos históricos. Numa luta titânica de raças, num combate entre o progresso e o atraso. Percebeu o conflito primeiramente como uma Vendéia ("a nossa Vendéia"), aquela rebelião reacionária - de padres, nobres e camponeses católicos - que eclodiu na Bretanha em 1793, contra o governo republicano-jacobino durante a Revolução Francesa.
Mas viu também a oportunidade de estudar e conhecer o Brasil. Concentrou sua atenção em revelar o conflito entre o litoral brasileiro, urbano, pré-industrial, semi-capitalista, europeizado, predominantemente branco e racionalista, contra o sertão mestiço, povoado por uma sub-raça miserável e sujeita - devido as inclemências do clima - às influências do fanatismo religioso, vivendo num universo místico e enfeitiçado por superstições atávicas, crentes em milagres e em espantosos taumaturgos, Euclides achava que a campanha contra Canudos simbolizava de certa forma a tentativa de civilizar o sertão ainda que fosse "a pranchaços".
Na primeira parte do livro - a Terra - ele procura descrever o cenário geográfico em que surge o sertanejo. Faz uma erudita exposição dos elementos geo-climáticos que compõe o sertão. Profundamente influenciado pelo historiador positivista Hippolyte Taine (1828-1893), que propunha uma abordagem do comportamento humano condicionado pela raça, pelo meio e pelas circunstâncias (la race, le milieu et le moment), Euclides acredita - na sua segunda parte, dedicada ao Homem - que a intensa miscigenação é a principal responsável pelo atraso e pelo fanatismo do sertanejo, na medida em que termina por produzir uma sub-raça. Mas mesmo assim ele não poupa louvores a bravura da gente do sertão em conseguir sobreviver numa região tão inóspita, flagelada pela fome e pela seca - "o sertanejo antes de tudo é um forte!"
Na terceira parte - a Luta - dedicada ao combate entre as forças regulares do exército e as hordas dos jagunços é que brota a espantosa prosa épica de Euclides. O relato dos enfrentamentos, dos entreveros, os sítios, o combate corpo-a-corpo, a valentia e a covardia, os sofrimentos e a incrível narrativa final da destruição de Canudos, tornam-se páginas dignas de figurar entre a melhor literatura do mundo, no mesmo nível de Homero ou do "Guerra e paz" de Tolstoi.
Características gerais
Em primeiro lugar "Os Sertões" é uma obra de arte literária. Apesar dos esforços de Euclides em se tornar o primeiro pensador do país, seu livro perdura nos tempos por ser geográfico e racial, hoje estão desacreditados. Restou portanto a qualidade narrativa e o estilo ímpar dele. É uma obra fechada. Euclides não fez uma escola como Machado de Assis. Sua prosa foi esculpida exatamente para escrever aquele tipo de livro e nenhum outro mais. Também os críticos debatem sobre que tipo de livro e nenhum outro mais. Também os críticos debatem sobre que tipo de gênero literário classifica-se "Os Sertões". Pode ser lido como uma grande crônica, um diário de guerra, um tratado histórico, um ensaio antropológico-sociológico, uma peça literária e até como um discurso forense. Nele encontramos todos os elementos literários - a lírica, a epopéia e a dramática - onde palavras desusadas e arcaicas encontram-se misturadas com o linguajar popular e com expressões cientificas.
Ele tentou olhar o sertão e seus habitantes com as lunetas de um cientista mas recorreu a um estilo dramático para exprimir sua emoção. Euclides é o nosso Homero. Realizou o grande épico nacional. Mas não é popular como Homero o foi. E a razão é de que ele não dirigiu-se ao povo, mas sim as elites. Seu livro aos poucos vai tomando a forma de uma denúncia. Do absurdo da guerra ("Além disso a guerra é uma coisa monstruosa e ilógica em tudo") em si até indignar-se com os barbarismos cometidos pelas tropas contra aqueles pobres-diabos ("Ademais entalhava-se o cerne da nacionalidade. Atacava-se a fundo a rocha viva da nossa raça. Vinha de molde a dinamite. Era uma consagração").
Seu objetivo era apelar às elites brasileiras para que tivessem uma compreensão melhor dos sertanejos. Ao descrever seu espaço e seus costumes,. ao relatar suas dificuldades e seu infeliz destino biológico, ele espera atenuar o preconceito contra os bárbaros interioranos, isolados do mundo a trezentos anos. Da mesma maneira que Cesare Lombroso (1836-1909) encontrara nos traços fisionômicos dos marginais os sinais de delinqüência e de degenerescência moral, Euclides, ao descrever o sertanejo como resultado da seca, do solo áspero e esturrado, da fome endêmica e da excessiva miscigenação, queria demonstrar que o resultado final não poderia ser outro.
Conforme o livro vai se aproximando do final, cresce nele a sensação de que a guerra contra os jagunços foi um grande equivoco, que afinal de contas era uma guerra fratricida e que de certa forma o litoral - civilizado e racional - apunhalava a própria essência do país ao destruir com o arraial e seus moradores.
A obra no entanto não teve conseqüências políticas. Foi vista mais como uma obra-prima do que um manifesto a favor da tolerância para com os desgraçados do campo.
Superposição dos conflitos que levaram à Guerra de Canudos
Político República x Monarquia
Perspectiva Cultural Progresso e Civilização x Atraso e barbárie
Racial Raça branca dominante x Mestiçagem (sub-raça)
Filosófico Razão e ciência x Misticismo e fanatismo religioso
Sócio-econômico Urbano e pré-industrial x Agrário-feudal
Geográfico Litoral x Sertão
O Messianismo
O movimento sertanejo ao redor de Antônio Conselheiro em Canudos teve uma forte conotação messiânica. Esse tipo de fenômeno sócio-religioso ocorre geralmente em situações de grave crise política (ameaça de invasões, brusca mudança de regime, etc..) e reflete um desespero e um temor crescente e insuportável, uma crença nas proximidades do Juízo Final e na necessidade da chegada de um salvador (messias) para resgatar a comunidade em perigo de morte.
"O messias é alguém enviado por uma divindade para trazer a vitória do Bem sobre o Mal, ou para corrigir a imperfeição do mundo, permitindo o advento do Paraíso Terrestre, tratando-se pois de um líder religioso e social" (Maria Isaura, p. 27). Obviamente que esse líder não é uma pessoa qualquer, mas sim alguém que revelou ter "qualidades pessoais extraordinárias, provadas por meio de faculdades mágicas que lhe dão autoridade; trata-se pois de um líder essencialmente carismático" (idem, p. 27).
O referencial mais remoto que anuncia a chegada desse salvador encontra-se numa passagem de Isaias: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam o país tenebroso. Multiplicaste o povo, aumentaste o teu prazer. Vão alegrar-se diante de ti, como na alegria da colheita, como no prazer dos que repartem despojos de guerra. Porque como no dia de Madjiã, quebraste a canga de suas cargas, a vara que batiam em suas costas e o bastão do capataz de trabalhos forçados. Porque toda a bota que pisa com barulho e toda capa empapada de sangue serão queimadas, devoradas pelas chamas.
Porque nasceu para nós um menino, um filho foi dado: sobre seu ombro está o manto real, e eles se chamam "Conselheiro Maravilhoso" ... Grande será seu domínio, e a paz não terá fim sobre o trono de Davi e seu reino, firmado e reforçado com direito e a justiça, desde agora e sempre. O zelo de Javé dos exércitos é quem realizará isso". (Isaías, 9).
A isso juntam-se as passagens do Apocalipse que relatam o retorno de Jesus como um vingador do povo humilhado, como um guerreiro que vem formar um novo exército de santos e que garantirá a todos que atenderem a sua mensagem de salvação a imortalidade por mil anos: " ...parecia um filho de Homem, vestindo uma longa túnica; no peito, um cinto de ouro; nos cabelos brancos como lã, como neve; os olhos pareciam uma chama de fogo; os pés eram como bronze de forno, cor de brasa; a voz era como um estrondo de águas torrenciais; na mão tinha sete estrelas; de sua boca saía uma espada afiada, de dois cortes; seu rosto era como um sol brilhando ao meio-dia.
Não tenha medo eu sou o Primeiro e o Último. Sou o Vivente. Estive morto, mas estou vivo para sempre. Tenho as chaves da morte e da morada dos mortos". (Apocalipse, 1).
Formado o grupo de fiéis em torno do novo messias eles passam a sentir-se perseguidos pelas autoridades a quem consideram como o Anticristo ou de estar a serviço do próprio demônio. Refugiam-se em algum lugar - a Nova Jerusalém - e preparam-se para resistir ao Mal. Ali se dará a batalha final. Não se importam em morrer porque o messias lhes garante vida eterna caso sejam atingidos. Viverão ao lado do senhor por outros mil anos: "Esse louco - o Anticristo - na sua cólera implacável conduzirá um exército e cercará a montanha onde os justos procurarão refúgio. E quando esses se sentirem cercados, clamarão pelo Senhor por auxílio e Deus há de ouvi-los e enviar-lhes-á um libertador (...) e toda uma multidão de ateus será aniquilada e correrão rios de sangue." (Lactâncio, século IV).
O Sebastianismo
O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como conseqüência da morte do rei D. Sebastião na batalha de Alcacer Quibir, em 1578. Por falta de herdeiros, o trono português terminou nas mãos do rei espanhol Felipe II. Apesar do corpo do rei ter sido removido para Belém o povo nunca aceitou o fato divulgando a lenda de que o rei encontrava-se ainda vivo, apenas esperando o momento certo para volver ao trono e afastar o domínio estrangeiro. Seu mais popular divulgador foi o poeta Bandarra que produziu incansáveis versos clamando pelo retorno do Desejado. Explorando a crendice popular vários oportunistas se apresentavam como o rei oculto na tentativa de obter benefícios pessoais. O maior intelectual a aderir ao movimento foi o Padre Vieira. Finalmente em 1640, pelo golpe restauracionista liderado pelos Braganças, no Porto, Portugal voltou a ser independente e o movimento começou a arrefecer no interior do Nordeste, também ser motivo da crença na chegada de um "rei bom". Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas e depois nordestinas. Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre.
O Conselheiro
(trechos selecionados da obra de Euclides da Cunha)
"As fases singulares da sua existência não são talvez, períodos sucessivos de uma moléstia grave, mas são com certeza, resumo abreviado dos aspectos predominantes de mal social gravíssimo. Por isso o infeliz, destinado à solicitude dos médicos, veio, impelido por uma potência superior, bater de encontro a uma civilização, indo para a História como poderia ter ido para o hospício." (p. 111).
(...) "Todas as crenças ingênuas, do fetichismo bárbaro às aberrações católicas, todas as tendências impulsivas das raças inferiores, livremente exercitadas na vida sertaneja, se condensaram no seu misticismo feroz e extravagante." (p. 111),
"Antônio Conselheiro foi um gnóstico bronco" (p. 113).
"A sua frágil consciência oscilava ... entre o bom senso e a insônia. Paroi aí indefinidamente, nas fronteiras oscilantes da loucura, nessa zona mental onde se confundem facínoras e heróis, reformadores brilhantes e aleijões tacanhos e se acotovelam gênios e degenerados. Não a transpôs." (p. 114).
"No seio de uma sociedade primitiva, que pelas qualidades étnicas e influxo das santas missões malévolas compreendia melhor a vida pelo incompreendido dos milagres, o seu viver misterioso rodeou-o logo de não vulgar prestígio, agravando-lhe, talvez o temperamento delirante." (p. 121).
As prédicas do Conselheiro
"Ele ali subia e pregava. Era assombroso ... Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, obstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frase sacudidas; misto inextricável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas ...
Era truanesco e era pavoroso.
Imagine-se um bufão arrebatado numa visão do Apocalipse ...
(...) A multidão sucumbida abaixava, por sua vez, as vistas, fascinada, sob estranho hipnotismo daquela insânia formidável.
E o grande desventurado realizava, nesta ocasião, o seu único milagre: conseguia não se tornar ridículo ... (p. 126)

Antônio Conselheiro
"Espécie de grande homem pelo avesso, Antônio Conselheiro reunia no misticismo doentio todos os erros e superstições que formam o coeficiente doentio da nossa nacionalidade. Arrastava o povo sertanejo não porque dominasse, mas porque o dominavam as aberrações daquele. Favorecia-o o meio e ele realizava, às vezes, como vimos, o absurdo de ser útil" (p. 132).
Anti-republicano
"Viu a república com maus olhos e pregou, coerente, a rebeldia contra as novas leis. Assumiu desde 1893 uma feição de combate inteiramente nova (...) Ao surgir essa novidade (editais para a cobrança de impostos que visavam a autonomia municipal) Antônio Conselheiro estava em Bom Conselho. Irritou-o a imposição; e planeou revide imediato. Reuniu o povo num dia de feira e, entre gritos sediciosos e estrepitar de foguetes, mandou queimar as tábuas numa fogueira, no largo ... pregou abertamente a insurreição contra as leis." (p. 133).
Canudos
"Era um lugar sagrado, cingido de montanhas, onde não penetraria a ação do governo maldito" (p. 35).
"A urbes monstruosa, de barro, definia bem a cívicas sinistra do erro. O novo povoado surgia, dentro de algumas semanas já feito ruínas. Nascia velho. Visto de longe, desdobrado pelo cômoros, atulhando as canhadas, cobrindo área enorme, truncado nas quebradas, revolto nos pendores - tinha o aspecto perfeito de uma cidade cujo solo houvesse sido sacudido e brutalmente dobrado por um terremoto" (p. 136).
"Não se distinguiam as ruas. Substituía-as dédalo desesperador de becos estreitíssimos, mal separando o baralhamento caótico dos casebres feitos ao acaso, testadas volvidas para todos os pontos, cumeeiras orientando-se para todos os rumos, como se tudo aquilo fosse construído, febrilmente, numa noite, por uma multidão de loucos ..." (p. 138).
"[os casebres] Cobertas de camadas espessas de vinte centímetros de barro, sobre ramos de iço, lembravam as choupanas dos gauleses de César. Traiam a fase transitória entre a caverna primitiva e a casa. (...). O mesmo desconforto e, sobretudo, a mesma pobreza repugnante, traduzindo de certo modo, mais do que a miséria do homem, a decrepitude da raça." (p. 138).
"Canudos, imunda ante-sala do Paraíso" (p. 147)
O jagunço
"Na falta de uma irmandade de sangue, a consangüinidade moral dera-lhe a forma exata de um clã , em que as leis era o arbítrio do chefe e a justiça as suas decisões irrevogáveis. Canudos estereotipava o fácies dúbio dos primeiros agrupamentos bárbaros. O sertanejo simples transmudava-se penetrando-o, no fanático destemeroso e bruto. Absorvia-o a psicose coletiva. E adotava, ao cabo, o nome até então consagrado aos turbulentos de feira, aos valentões de refregas eleitorais e saqueadores de cidades - jagunços." (p. 141).
"Os jagunços errantes ali armavam (em Canudos) pela derradeira vez as tendas, na romaria miraculosa para os céus ..." (p. 142).
"A nossa civilização de empréstimo arregimentava, como sempre o fez, o banditismo sertanejo." (p. 145).
"Delineara-a o próprio Conselheiro, velho arquiteto de igrejas, requintara no monumento que lhe cerraria a carreira. Levantava, volvida para o levante, aquela fachada estupenda, sem módulos, sem proporções, sem regras; estilo indecifrável, mascarada de frisos grosseiros e volutas impossíveis cabriolando num delírio de curvas incorretas; rasgada de ogivas horrorosas, esburacada de troneiras; informe e brutal, feito a testada de um hipogue desenterrado; como se tentasse objetivar, a pedra e cal, a própria desordem do espírito delirante". (p. 147).
O Coronel Moreira César (comandante da 3ª expedição)
"Surpreendiam-se igualmente ao vê-lo admiradores e adversários. O aspecto reduzia-lhe a fama, de figura diminuta - um tórax desfriado sobre pernas arcadas em parêntesis - era organicamente inapto para a carreira que abraçara" (p. 222).
(...) Tinha o temperamento desigual e bizarro de um epiléptico provado, encobrindo a instabilidade nervosa de doente grava em placidez enganadora." (p. 223).
(*) Todos esses trechos foram extraídos da 27ª edição de "Os Sertões" da Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1968.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Revoluções Burguesas

Revoluções Burguesas

Rainer Sousa


Homens caminhando com a Liberdade: As revoluções burguesas foram populares?
No início da Idade Moderna observamos duas grandes transformações em nível político, social e econômico na Europa. Primeiro destacamos o aparecimento da burguesia que, desde os fins da Idade Média, quebrou com a antiga ordem feudal ao reavivar as práticas comerciais dentro do continente europeu. Logo em seguida, temos o surgimento dos Estados Nacionais Monárquicos, responsáveis pela unificação de territórios regidos sobre uma mesma lei e sob o domínio de reis de origem nobre.

De acordo com alguns historiadores, o surgimento dos Estados Nacionais foi de grande interesse para a burguesia. Com a nacionalização dos impostos e das moedas, os comerciantes burgueses poderiam prever e ampliar a margem de lucro ganho em suas transações. Ao mesmo tempo, as várias monarquias instituídas na Europa irão incentivar a atividade comercial burguesa, pois com isso arrecadavam mais impostos e garantiam os plenos poderes do Estado Absolutista.

Dessa maneira, parecia haver uma relação perfeitamente harmoniosa entre os reis e a burguesia, pois o enriquecimento de um garantia o poder político do outro. No entanto, ao longo do século XVII e XVIII eclodiram revoluções que mostravam a existência de um grande conflito de interesse entre os burgueses e a monarquia. Na verdade, essas revoluções irão questionar o poder monárquico não somente por conta de questões econômicas, mas também por outros problemas originados pela interferência do rei sob o povo.

É de grande importância destacar que os homens não vivem em função da economia de seu tempo, a burguesia não pensava somente em comércio e os reis lutavam pela ampliação de seus poderes políticos. Outras classes sociais, outros problemas e interesses irão motivar os homens daquele tempo. Nesse aspecto, as idéias de liberdade, igualdade e fraternidade dos pensadores iluministas serão também de grande valia para que entendamos os motivos das revoluções burguesas do século XVII e XVIII.

Nesse período o pensamento racional passou a ser defendido como o mais eficiente instrumento para a resolução dos problemas humanos. Com o uso da razão, todos os conflitos religiosos e as diferenças entre as classes sociais poderiam ser resolvidos de maneira efetiva. A felicidade humana dependia do quanto a razão fosse utilizada pelas instituições.

No próprio século XVIII, as monarquias européias adotaram muitas das idéias racionalistas para desenvolverem a economia de suas nações. Em contrapartida, as escolhas religiosas e a vida luxuosa dos reis também motivavam a deflagração de crises econômicas e levantes populares. Afinal de contas, o governo deveria servir ao rei ou à nação? Mediante o impasse dessa pergunta, os grupos sociais de diferentes nações européias resolveram pegar em armas para dar fim à dominação das monarquias voltadas para a satisfação de seus desejos particulares.

Diversas revoluções ocorreram desta forma. Por conta do grande poderio econômico e intensa articulação política, a burguesia tomou conta desse processo. Ainda assim devemos lembrar-nos que trabalhadores urbanos, pequenos comerciantes e camponeses também tiveram grande participação nessas revoluções. Mas então porque esses conflitos que derrubam reis e rainhas da Europa são chamados de revoluções burguesas?

Isso ocorre porque a classe social visivelmente beneficiada com os governos pós-revolucinários foi a burguesia. O poder, de acordo com alguns pesquisadores, saiu das mãos da nobreza para cair nas mãos dos burgueses. Por conta disso, esses mesmos pesquisadores apontam que as revoluções burguesas não tiveram nenhum sentido revolucionário. Somente uma classe foi beneficiada, a burguesia, deixando as demais sob a mesma condição de subordinação política e econômica.

Os mais famosos casos de revolução burguesa estudados são a Revolução Inglesa (1640 – 1688) e a Revolução Francesa (1789 – 1799). Mesmo não colocando em prática os princípios de igualdade, liberdade e fraternidade defendidos pelo ideal dos revolucionários, as revoluções burguesas são um importante episódio para a compreensão das sociedades contemporâneas.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Maio de 1968

Colégio Estadual Dinah Gonçalves
email accbarroso@hotmail.com        
   

Maio de 1968

Rainer Sousa


O protesto dos estudantes tomou as ruas de Paris em 1968.
O movimento de maio de 1968, na França, tornou-se ícone de uma época onde a renovação dos valores veio acompanhada pela proeminente força de uma cultura jovem. A liberação sexual, a Guerra no Vietnã, os movimentos pela ampliação dos direitos civis compunham toda a pólvora de um barril construído pela fala dos jovens estudantes da época. Mais do que iniciar algum tipo de tendência, o Maio de 68 pode ser visto como desdobramento de toda uma série de questões já propostas pela revisão dos costumes feita por lutas políticas, obras filosóficas e a euforia juvenil.

No dia 2 de maio de 1968, estudantes franceses da Universidade de Nanterre fizeram um protesto contra a divisão dos dormitórios entre homens e mulheres. Na verdade, esse simples motivo vinha arraigado de uma nova geração que reivindicava o fim de posturas conservadoras. Aproveitando do incidente, outros universitários franceses e grupos político partidários resolveram engrossar fileiras dos protestos contra os problemas vividos na França. Com a cobertura televisiva, o episódio francês ficava conhecido pelo mundo.

Em pouco tempo, o contorno das questões que motivavam o protesto ganhavam contornos mais amplos e delicados. Os estudantes passaram a exigir a renúncia do presidente Charles de Gaulle, considerado um conservador, e a convocação de eleições gerais eram as novas propostas dos manifestantes. A partir daí a cidade de Paris transformou-se em palco de confrontos entre policiais armados e manifestantes protegidos em barricadas. Desprovidos de igual força bélica, os revoltosos atiravam pedras e coquetéis molotov contra os policiais.

No dia 18, os trabalhadores protagonizaram uma greve geral de proporções alarmantes. Mais de 10 milhões de trabalhadores cruzaram os braços exigindo melhores condições de trabalho. Acuado pela proporção dos episódios, o presidente Charles de Gaulle se refugiou em uma base militar alemã, concedeu um abono de 35% ao salário mínimo e convocou novas eleições legislativas. Dessa forma, os trabalhadores esvaziaram os espaços de manifestação e voltaram a ocupar seus postos de trabalho.

Nas eleições convocadas pelo governo francês, os políticos vinculados à figura de Gaulle conseguiram expressiva vitória. O presidente saiu do episódio como uma figura capaz de contornar os problemas enfrentados pela sociedade da época. Em pouco tempo os protestos estudantis se esgotaram e sobraram somente os slogans que pregavam "Sejam realistas, exijam o impossível.", "Parem o mundo, eu quero descer." e "É proibido proibir.".

Mesmo sem alcançar algum tipo de conquista objetiva, o movimento de Maio de 68 indicou uma mudança de comportamentos. As artes, a filosofia e as relações afetivas seriam o espaço de ação de um mundo marcado por mudanças. Não podemos bem ao certo julgar esse episódio como imaturo ou precipitado. Muito menos sabemos limitar precisamente o quanto o mundo modificou a partir de então. No entanto, podemos refletir qual o lugar que a rebeldia e vigor das idéias ocupam em uma sociedade sistematicamente taxada de consumista e individualista.

A Igreja e a Colonização

Ao lado do Estado europeu, a Igreja Católica ocupou uma posição de destaque na colonização americana. O espírito cruzadista, típico do período medieval, que esteve presente nos grandes empreendimentos marítimos, reapareceu na Época Moderna, confundindo-se com a própria missão colonizadora. Razão pela qual a conquista da América está sempre relacionada, desde o seu início, a dois signos da civilização cristã européia: a cruz e a espada.
A Igreja, representada pelas várias ordens religiosas - jesuíta, carmelita, dominicana e beneditina, entre outras - esteve presente no Brasil especialmente com a ação da Companhia de Jesus, participante de nossa História desde o momento em que Portugal assumiu diretamente a empresa colonizadora.
A Contra-Reforma e a companhia de Jesus
No século XVI, a unidade cristã européia foi quebrada com o movimento da reforma protestante. Com a rápida expansão das doutrinas protestantes de Lutero e Calvino, a Igreja Católica reagiu com o Concílio de Trento, que, além da reforma interna, procurou criar instrumentos de combate ao protestantismo. Nessa medida, foi instituída a Congregação do Índice, proibindo a publicação de obras contrárias à doutrina católica, e restabelecido o Tribunal da Inquisição, destinado a perseguir e condenar os inimigos da fé católica.
Nesse quadro, o espanhol Inácio de Loyola criou, em 1534, a Companhia de Jesus, uma nova ordem religiosa com o objetivo de servir e de lutar pela Igreja Católica Apostólica Romana. Portanto, os jesuítas - soldados de Cristo - através da catequese e da educação, serviriam à ação da Contra-Reforma, compensando as perdas do catolicismo na Europa com a conversão das populações nativas do Novo Mundo.
A presença dos Jesuítas no Brasil
A chegada dos primeiros jesuítas ao Brasil data de 1549, quando, liderados por Manoel da Nóbrega, acompanharam Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral.
Desde a sua chegada ao Brasil, os jesuítas estiveram envolvidos com a pacificação dos índios, o que os colocou, muitas vezes, em confronto direto com os colonos, que viam o índio como mão-de-obra abundante.
Voltados para a educação e a catequese, os inacianos fundaram os primeiros colégios do Brasil: em Salvador - colégio dos Meninos de Jesus -, em São Vicente e, em 1554, no planalto de Piratininga, ao redor do qual se desenvolveu a cidade de São Paulo.
Além dos colégios, localizados ou próximos dos poucos centros urbanos, os jesuítas foram avançando pelo interior da colônia, criando nos longínquos sertões grandes aldeamentos de índios: as missões ou reduções. No século seguinte, as missões de Guaíra e Tapes, entre outras, eram grandes núcleos de povoamento indígena e verdadeiras unidades auto-suficientes, graças à disciplina imposta pelos religiosos aos nativos.
A existência de um grande contingente de mão-de-obra nesses aldeamentos acabou atraindo a cobiça dos colonos e, assim, a ação predadora dos bandeirantes culminou com a destruição de boa parte das missões jesuíticas. Mesmo com os problemas que marcaram sua atuação na colônia, a Companhia de Jesus conseguiu formar um grande patrimônio material, ao mesmo tempo em que se tornava uma verdadeira força política. No século XVIII, o seu poder foi combatido pelo Marquês de Pombal, resultando na expulsão da ordem do Brasil e de Portugal.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Idade Contemporânea


O ataque de 11 de setembro, que marcou a era contemporânea.
Em 1799 a França obteve êxito em sua Revolução, derrubando o poder absolutista e consolidando, de vez, a força burguesa. Tal acontecimento serviu de inspiração para outros países, que se encorajaram no lema francês “liberdade, igualdade e fraternidade”, e buscaram sua liberdade. A Revolução Francesa, além de instaurar a primeira tomada de poder por burgueses, marcou o início da Idade Contemporânea.

O mundo contemporâneo está em constante transformação, o que dificulta resenhá-lo com precisão, já que seu tempo de ação é presente. Com o fim do absolutismo (tido como incontestável até 1799), o mundo presenciou uma nova visão de sociedade. Surgiu uma abertura que proporcionou a participação popular nas decisões políticas: a democracia. Nestes pouco mais de dois séculos, o mundo presenciou duas grandes guerras, atentados terroristas, uma Alemanha dividida, a ascensão e queda do comunismo, uma ditadura militar (apoiada pelos Estados Unidos), o direito do voto e a construção de uma sociedade democrática. Esta nova era também foi marcada pela criação de órgãos voltados ao apaziguamento e diplomacia entre países conflituosos, como a Organização das Nações Unidas (ONU), e uniões com finalidades econômicas (OTAN, OEA, UE, MERCOSUL, Pacto de Varsóvia).

O estudo do mundo contemporâneo é de suma importância para o bom entendimento das relações políticas pelo mundo. Mesmo tendo suas origens nos séculos passados, a política se desenvolveu e alcançou novos patamares na era atual. Velhas ideologias caíram, dando lugar a novas mentalidades. Novos rumos surgiram, colocando o homem como o personagem principal da História, incumbindo a ele o papel de agente transformador e não de assistente, como outrora.
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A Ordem Bipolar

Colégio Estadual Dinah Gonçalves
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A Ordem Bipolar

Rainer Sousa


Conferência de Potsdam: os acertos para a formação de uma nova ordem político-econômica.
Alemanha, 1945. Nos fins do mês de abril, a Segunda Guerra Mundial caminhava para uma clara e definitiva vitória dos aliados. O sucesso dos exércitos norte-americanos, russos e britânicos contra as nações do Eixo deixou Adolf Hitler em uma situação completamente irreversível. Mesmo com as baixas que chegavam a seu escritório, o líder alemão ainda parecia acreditar em uma reviravolta capaz de garantir os gloriosos destinos do seu Terceiro Reich.

A situação ainda só piorou quando o füher soube que Heinrich Hilmmer, comandante da SS, negociava secretamente a rendição dos exércitos alemães. O conhecimento da traição política de um de seus mais próximos aliados, fez com que o líder alemão tomasse algumas providências definitivas. No dia seguinte, 29 de abril, preparou uma simples cerimônia onde selou sua união matrimonial com Eva Braun. Pouco depois, ditou um testamento político deixando o poder nas mãos de Karl Dönitz.

No dia 30 de abril, Adolf Hitler fez um rápido almoço e logo seguiu para seu quarto em companhia de Eva Braun. A porta ficou sob vigilância de um atento soldado que tinha ordens expressas para que ninguém perturbasse o líder da Alemanha Nazista. Em pouco tempo, o barulho de um tiro assinalou o suicídio de Hitler e a queda do Terceiro Reich alemão. Pouco antes desse evento, os líderes soviéticos, ingleses e norte-americanos se reuniram para definir o cenário político com fim da Segunda Guerra.

No primeiro encontro feito em novembro de 1943, na cidade de Teerã, os três líderes organizaram importantes ataques militares, incluindo a decisiva invasão da Normandia. Após expressivas vitórias, os mesmos líderes se reuniram na Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945, para discutir a divisão territorial da Alemanha, a criação de um tribunal instalado para julgar os crimes de guerra e a reformulação da falida Liga das Nações com a formação da Organização das Nações Unidas, sediada em Nova Iorque.

Nesse mesmo encontro, Stálin se dispôs a enviar tropas para lutar contra os exércitos japoneses. Para recompensar sua ação militar contra as forças nipônicas, o governo soviético teria controle sobre a Mongólia e as ilhas Sakalinas e Kurias. Nesse mesmo encontro ficou definida a influência russa sobre as regiões da Romênia, Hungria e Bulgária. Além disso, uma parcela dos territórios gregos ficou sob os cuidados da Grã-Bretanha.

Pouco tempo depois, na Conferência de Potsdam, em julho de 1945, algumas mudanças significativas aconteceram. Harry Trumann era o novo presidente dos EUA, Clement Attlee assumiu o posto de primeiro-mininstro britânico e Adolf Hitler tinha dado cabo de sua própria vida. A primeira medida tomada no novo encontro recortou as áreas de influência econômica entre as nações capitalistas do bloco aliado. Em contrapartida, as forças de Joseph Stalin foram agraciadas com parte do território alemão.

As maiores vantagens políticas alcançadas pelos Estados Unidos e a União Soviética eram sinais de que as combalidas nações francesa e britânica admitiam não ter condições de vencer a Segunda Guerra sozinhas. O enfraquecimento econômico europeu exigia que as demais nações do Velho Continente se subordinassem ao auxílio econômico russo-americano e a divisão sócio-política mundial entre dois blocos: um comunista liderado pelos soviéticos e o capitalista capitaneado pelos estadunidenses.

O mundo estava configurado em uma nova ordem, mas ainda teria que enfrentar algumas outras questões pendentes. Na Conferência de São Francisco (1951), um acordo de paz definiu a aliança do Japão com os EUA. Esse acordo tinha grande importância para o bloco capitalista, já que o Oriente vivia o conflito entre as Coréias e a ascensão do regime socialista chinês. Por esse motivo, as penas contra os japoneses foram minimizadas com o objetivo de configurar o equilíbrio da Nova Ordem Mundial.

A Independência de kosovo


Localização do território de Kosovo
A Iugoslávia era um país formado pelas repúblicas da Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegóvina, Macedônia e Montenegro, além de duas regiões autônomas – Kosovo e Vojvodina – de influência sérvia. Sua população apresentava grande pluralidade étnico-cultural, composta por sérvios, croatas, eslovenos, macedônios, albaneses, húngaros. Apesar dessa diversidade, o governo de Josip Broz (marechal Tito), líder de origem croata, conseguiu manter a harmonia no país.
Com a morte de Tito, em 1980, os diferentes grupos étnicos entraram em constantes convergências políticas e em 1990, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), os movimentos separatistas se fortaleceram na Iugoslávia. As diferentes repúblicas que integravam a nação iugoslava foram obtendo suas independências através de conflitos armados e muitas mortes.

Kosovo, considerado território autônomo, era habitado por 2 milhões de pessoas, sendo que 90% da sua população era de origem albanesa. Entretanto, em 1989, o poder central da Sérvia adotou medidas rígidas nesse território, proibindo o ensino da língua albanesa e o direito de uma polícia própria. Com o fortalecimento do movimento separatista armado, liderado pelo ELK (Exército de Libertação de Kosovo), o então presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, reagiu com violência, promovendo um massacre à população civil de origem albanesa, numa tentativa de limpeza étnica. Em represália, vários sérvios residentes em Kosovo passaram a ser perseguidos pela população local, intensificando ainda mais os conflitos.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tentou, em 1999, um acordo pacífico para o fim do conflito, porém Slobodan Milosevic negou o acordo. A resposta foi dada através do envio de tropas da Otan para o confronto com os iugoslavos. Esse fato ficou conhecido como a guerra de Kosovo e só teve fim após 78 dias de intensos bombardeios e milhares de mortes.
Desde então, Kosovo busca obter sua independência e reconhecimento como Estado-Nação. Após muitos anos em guerra, além de muitas mortes e refugiados, no dia 17 de fevereiro de 2008 foi aprovada (por 109 votos a zero) a declaração de independência de Kosovo. Porém, representantes políticos da Sérvia alegam que o país nunca reconhecerá a independência de Kosovo. A Rússia, aliada histórica da Sérvia, também é contrária ao processo de independência kosovar. Esse fato pode gerar consequências negativas no âmbito político, social e econômico entre os países vizinhos, fortalecendo as rivalidades étnicas na região.
Por Wagner de Cerqueira e Francisco