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sábado, 5 de novembro de 2016

Interação gênica Entenda como ocorre a interação de genes não alelos


A maior parte das características dos seres vivos resulta da ação de diversos genes, que interagem na determinação desta ou daquela característica. Quando dois ou mais genes, localizados ou não no mesmo cromossomo, agem conjuntamente na determinação de uma característica, fala-se em interação gênica.

Em 1905, o cientista inglês William Batenson e seus colaboradores, estudando a forma das cristas de certas raças de galinhas, notaram que as combinações entre diferentes alelos produziram quatro tipos de crista, denominados rosa, ervilha, noz e simples.

Quando cruzaram aves homozigóticas de crista rosa com aves homozigóticas de crista ervilha, obtiveram como resultado 100% dos descendentes apresentando cristas noz. Aves de crista noz cruzadas entre si produzem quatro tipos de descendentes, na seguinte proporção: 9 cristas noz: 3 cristas rosa: 3 cristas ervilha: 1 crista simples.

Diante desses resultados, Bateson e seus colaboradores concluíram que o tipo de crista em galinhas é condicionado por dois pares de alelos, R/r e E/e, que têm segregação independente, mas interagem entre si na produção da forma de crista. A interação entre os alelos dominantes R e E resulta em crista noz; entre o alelo dominante R e o recessivo e resulta em crista rosa; entre o alelo recessivo r e o alelo dominante R resulta em crista ervilha, e entre os alelos recessivos r e e em crista simples.

Interação gênica na cor da plumagem de periquitos
Periquitos australianos apresentam grande variedade de cores na plumagem. No entanto, na determinação das cores básicas da plumagem - verde, azul, amarela e branca - estão envolvidos dois genes principais: A/a e B/b.

Periquitos homozigóticos recessivos (aabb) apresentam cor branca; periquitos homozigóticos recessivos aa, mas que possuem ao menos um alelo dominante B (aaBB ou aaBb), são amarelos; periquitos homozigóticos recessivos bb, mas que possuem ao menos um alelo dominante A (AAbb ou Aabb), são azuis; periquitos que apresentam pelo menos um alelo dominante de cada gene (AABB, AABb, AaBB ou AaBb) têm cor verde.

O cruzamento de periquitos duplo heterozigóticos (AaBb) produz quatro tipos de descendentes: verdes (A_B_), azuis (A_bb), amarelos (aaB_) e brancos (aabb). A proporção, neste caso, apresenta-se assim: 9 verdes: 3 azuis: 3: amarelos: 1 branco.

Os quatro diferentes fenótipos apresentados na proporção acima são explicados pela atuação conjunta dos alelos desses dois genes, que codificam a cor das penas dos periquitos. O alelo A condiciona a síntese de melanina, um pigmento que condiciona a cor azul; seu alelo a é uma versão alterada, não funcional do gene, e, portanto, não codifica a produção de melanina.

Já o alelo B, condiciona a deposição de outro pigmento, a psitacina. Esse pigmento determina a cor amarela, própria de alguns periquitos. Seu alelo recessivo b, por ser um gene não funcionante, não condiciona a produção deste último pigmento.

Portanto, é compreensível que os periquitos homozigóticos recessivos (aabb) sejam albinos, ou seja, não tenham a produção de nenhum dos dois pigmentos, enquanto que os periquitos que apresentam ambos alelos dominantes (A_B_), adquiram a mistura de azul (melanina) e amarelo (psitacina), resultando na cor verde.
*Rodrigo Luís Rahal é bacharel e licenciado em biologia, mestre em Biologia Celular e Estrutural pela Unicamp, professor do curso de Ciências Biológicas e Coordenador do Projeto 3R - Reduzir, Reutilizar e Reciclar - do Centro Universitário São Cami

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